Guri no Mundo,  Noruega

Trolltunga – o esforço por trás da foto

O post desta vez é com convidada… AHAM! A Guria conta aqui nas próximas linhas um pouco de como foi a trilha no Trolltunga, no interior da Noruega. Depois disso tem algumas dicas úteis pra se preparar pra fazer a caminhada também. Olha aí:


28 de agosto, 6h da manhã. Saímos do hotel em direção ao hiking mais esperado. Frio na barriga em pensar que poderíamos caminhar até 12 horas. Depois de 40 minutos de estrada para chegar até o segundo estacionamento pegamos o ônibus para subir até o último estacionamento. A intenção era assim cortar duas horas da caminhada, já que a previsão das cinco da tarde era de uma chuva forte e a volta ficaria muito perigosa.

7h30 começamos a subida. O primeiro quilômetro foi super tranquilo, o caminho inteiro é bem demarcado, com uma casinha ou outra perdida na primeira parte plana da caminhada. Na montanha vizinha já dava pra avistar a neve que ainda restava do inverno. A vegetação é escassa, com bastante pedra e um pouco de grama. A cada quilômetro uma placa sinaliza quantos quilômetros faltam até o final, que ainda não sei se gosto por me motivar ou se não gosto por me mostrar que ainda há um bom tanto pela frente.  Há também alguns “T” pintados de vermelho ajudando na localização.

Tudo tranquilo, até a primeira subida. Nessa o coração palpitou. Foi a parte mais difícil com certeza, como já tinha lido. Não sou nenhuma atleta e não tenho a melhor das condições físicas, mas minha boa alimentação é um baita auxílio nessas horas. A subida é rochosa, com alguns degraus de pedras. Fiz questão de nem pensar na hora de descer e se meu joelho iria aguentar… Pra nossa felicidade investimos nas varas de caminhada. O esforço foi emprestado dos joelhos pros braços.

Pequenas descidas e não tão pequenas subidas (ao menos na ida), mas mesmo assim a ida foi mais tranquila do que eu esperava. Algumas barracas pelo caminho enfeitavam a vista, lagos, pedras, montanhas nevadas, tudo em harmonia. Pelo meio do trajeto já se pode avistar o lago Ringedalsvatnet, em paz, que imensidão… E que dor nos pés…!

Os últimos quatro quilômetros têm algumas subidas chatas de novo e mais ou menos às 11h da manhã e chegamos na tão esperada pedra. A foto é divina, quase inacreditável. E graças a este detalhe que o lugar super se popularizou e estava lotado, uma fila de mais de meia hora pra fazer a famosa foto na língua do troll sob o lago Ringedalsvatnet. A magia que esperei sentir não estava lá. Isso por que estava repleto de pessoas, em todo canto, comendo, conversando, fotografando… Minhas expectativas estavam altas demais.

O Rafa foi pra fila primeiro e eu fiquei pra bater a foto dele. Depois eu fui pra fila e ele bateu a minha foto. Só esta brincadeira nos custou mais de uma hora e meia e almoçamos nosso sanduíche em pé na fila, cogitei algumas vezes bater foto de outra pessoa na pedra e fingir que era eu hahaha. 

 

Começamos a voltar às 1h30 da tarde. Foi dolorido. Meu pé doía o dobro, o joelho tava acabado e até o Rafa que é super resistente a dor estava cansado e dolorido. Chegamos no fim da trilha por volta das 5h30 da tarde. Levamos muita sorte pois a temperatura estava agradável em todo o trajeto, céu aberto, sol quentinho e nadinha de chuva.

Valeu a caminhada, o desafio. Foi a primeira vez que fiz um hiking tão longo e é incrível me desafiar a isso, saber que consigo – e que preciso de um sapato melhor de hiking. O caminho é deslumbrante, com pequenos lagos pipocando a cada pouco, o terreno mudando de tempos em tempos e a ânsia em descobrir o que havia depois da próxima curva/montanha. Não me arrependo nem um pouco. Super aconselho ir beeeem cedo pra pegar o nascer do sol pelo trajeto. Legal focar em chegar no Trolltunga o mais cedo possível pra ter um ar diferente, mais vazio e mais real, e aí sim voltar com mais calma e fotografando.

Obrigada meu parceiro da vida, por me acompanhar nessa aventura que foi meu aniversário, mesmo que tenha resultado em muita dor depois hahahah Love u!

Informaçōes sobre o Trolltunga:

Distância do hiking: 28km ida e volta
Tempo: 8 a 12 horas
Altitude máxima: 1200 metros
Quando ir: 15 de Junho a 15 de Setembro pode-se fazer sem o acompanhamento de guia. No restante do ano é necessário dar uma olhadinha no site do Visit Norway para saber se está liberado com acompanhamento do guia devido às condições do tempo e neve no local.
Dificuldade: Difícil, mas não precisa ser fitness nível Pugliese.

Estacionamento:

Primeiro: P1 em Tyssedal

Tem 220 vagas, o preço é de NOK 300 (cerca de R$ 136) para o dia todo + valor do transporte até o começo da trilha.
Caso queira começar andando desde o primeiro estacionamento, a distância de ida e volta fica 40km e leva em média 15 horas. (Caso tu fique nesse, tenha em mente que vai precisar pegar dois ônibus até o P3. Primeiro um ônibus que sobe até o P2 e depois outro ônibus até o P3); ou ir a pé os 40km.

Segundo: P2  Skjeggedal – Estacionamento “principal”

Tem 180 lugares, o preço é de NOK 500 (cerca de R$ 230) para o dia todo + valor do transporte até o último estacionamento. Se for andando desse estacionamento, o total ida e volta fica em 28 km e o tempo varia de 8 a 12 horas. Foi desta forma que fizemos

Terceiro: P3 Mågelitopp Privado

O que mais recomendamos. 30 espaços apenas, o preço fica NOK 600 (cerca de R$ 275) e precisa ser reservado com antecedência neste site.
Partindo desse estacionamento o hiking fica em 20km e pode levar de 7 a 10 horas.

Custos: depende de qual estacionamento tu vai escolher e se vai caminhar 40km ou pegar o ônibus até o último estacionamento.
Ônibus P2 pra P3: O preço de ida e volta fica de NOK 170 por pessoa (cerca de R$ 80). Pra mais informações da uma olhada nesse site aqui.

Roupas que usamos:

Julia: Calçacasaco e bota de hiking Columbia (não recomendo, hoje iria pela marca Salomon)
Rafa: Calça, casaco e bota de hiking Salomon e o bastão de caminhada que usamos.
Fomos dia 28 de Agosto, não estava absurdamente frio, então não usamos mais camadas de roupa.

O que levar: Comida por favorrrrr. Tenta levar em pano ou potinhos pra não fazer sujeira, e caso tiver alguma embalagem, por favor, leva contigo de volta e descarte corretamente. O caminho todo é muito limpinho, contribua pra continuar assim.

Como chegar:

Nós alugamos um carro pra viagem e ficamos hospedados em Lofthus, saímos às 6h da manhã do hotel (que deixou um café da manhã pronto na noite anterior para levarmos) e em 45 minutos chegamos no segundo piso do estacionamento (não sabíamos sobre o terceiro estacionamento, se não teríamos reservado).

Tem outras cidades para se hospedar como Odda e Tyssedal que ficam mais perto do inicio da trilha, mas optamos por Lofthus pois era mais barato.

Horário de início: Quanto antes melhor. Começamos por volta das 7h30 e por mim teria começado as 6h da manhã já, o quanto antes chegar no fim mais vazio vai estar e tu vai aproveitar mais.

1 NOK é equivalente a cerca de R$ 0,45.

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