Escócia,  Guri no Reino

Guri nas Highlands escocesas

Minha expectativa pra esta segunda parte da viagem estava altíssima. Não conseguia conter minha animação de estar num ponto tão alto do mapa, e ainda mais de ver as highlands da Escócia. Eu sempre ouvia falar e via muitas fotos desta parte linda do mundo quando eu trabalhava em agência de viagens no Brasil. E sempre ficava namorando fotos, usava até algumas de papel de parede… Recomendo ler antes a primeira parte, sobre Edimburgo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Antes de te contar os detalhes do roteiro, que tal dar uma olhada no vídeo?

A parte de trem de Edimburgo a Glasgow já foi bacana até porque era interessante ver o clima mudando na ida. O sol deu lugar à neblina, que depois devolveu o posto pro sol.
Algumas pessoas me olharam torto quando eu disse que iria a Glasgow, porque ela tinha no passado uma imagem de ser perigosa. Mas claro que todo mundo esquece que sou brasileiro e meu nível de “perigoso” é diferente. Glasgow é segura, tranquilamente segura, nada com o que se preocupar e para já com este olhar torto. Outra coisa sobre Glasgow: ela é a maior cidade da Escócia. Isso faz com que não seja tãããão caminhável como a gente está acostumado (como Londres, Paris, Nova York ou Edimburgo por exemplo, onde algumas atrações turísticas estão na mesma localização). Tem que caminhar uma distância considerável pra chegar em um único ponto turístico. Mas claro que isso não é problema pra mim que guio passeios turísticos a pé.
Algumas coisas podem ser feitas a pé sim, mas ficam mais distantes, como a própria Catedral de Glasgow. Além de ser muito bonita, com um estilo gótico que lembra algumas das principais igrejas de Londres, ela é gratuita – agora diferente das principais igrejas de Londres. A Galeria de Arte Moderna de Glasgow fica também a uma distância caminhável. É em frente a ela que está um dos mais estranhos monumentos do mundo: a estátua do Duke de Wellington, responsável por derrotar Napoleão na Batalha de Waterloo. Mas o que tem de tão estranho nisso, Rafa? O cone. É, um cone destes de trânsito foi colocado na cabeça do Duke que parece não se importar. Algumas pessoas passavam em frente à estátua na madrugada e colocavam e as autoridades iam lá e tiravam. E isso se repetia por dias. Até que um dia eles disseram “OK, vamos deixar o maldito cone na cabeça dele”. No outro dia as pessoas que iniciaram a moda foram lá e tiraram o cone. Gostavam de ser do contra. Mas de fato o cone hoje em dia faz parte da obra. Estando em frente à Galeria de Arte Moderna, nada mais justo deixar assim.
A gastronomia local faz parte de turismo, concorda? Que bom, eu também! Experimentei em Glasgow o haggis, o prato mais famoso da Escócia. Prepare o estômago (ou não): o haggis é basicamente um bucho de carneiro recheado com fígado, coração, rim e farinha de aveia. AHHH NÃO, BUCHO E VÍSCERAS TUDO BEM MAS AVEIA?
Comi o negócio e com plena ciência do que era e tenho que admitir: é muito bom. Não só isso, uma das melhores coisas que comi na vida. De verdade. me lembrou de certa forma (e não sei por que) a paçoca de pinhão que temos no sul. Só que com vísceras. E bucho. E aveia. Enfim… Deixa de frescura e come logo!

As highlands

O passeio com a Rabbie’s saiu às 8h da manhã comigo e mais nove pessoas no micro ônibus ouvindo o guia Graham falar escocês o percurso todo. “Como assim falar escocês?” Sim é que eles tem um sotaque diferente, esta galera de Glasgow, né? Mas mesmo assim foi tranquilo. Ele falava devagar e foi fácil de entender ele de qualquer forma. Estava assustado se iria conseguir, mas foi OK.
Loch Ness era o destino, mas sabe aquela filosofia de “não importa o destino final, o que importa é a jornada” né? Deve ter sido criada na Escócia. Porque a paisagem do caminho vai se desenvolvendo de planícies verdes para morros e montanhas misturando um verde escuro e cansado, com marrom, pedras e lagos. Cada vez mais isso tudo vai aparecendo até que é anunciado o que já estava claro: “estamos oficialmente nas Highlands”.
Durante o percurso o passeio vai fazendo algumas paradas, essenciais! Falei do primeiro destino ser o “Loch” Ness. Enquanto na Inglaterra e em qualquer país que fale inglês um lago é “lake”, na Escócia eles são “loch”. E não para por aí. Se tu pronunciou “losh” ou “lók” tá errado. É algo como “lorrck”. Igual o “H” do alemão, sabe?
E foi justamente num loooorrrrckkk que fizemos nossa primeira parada: no Loch Lomond. Ah, eu já não queria sair dali. Ainda mais com o sol se derramando sobre a água, os patos nadando, o barquinho bem sem pressa, o silêncio da paisgem. Todo o conjunto que ainda está fresco na minha mente e espero que fique ali pra sempre.
O bacana é que o guia-motorista usa um kilt (ou a saia-que-os-escoceses-usam, como queira) e o mais importante: um microfone. Então ele vai a viagem toda batendo papo. Na volta é feita só uma parada, mas na ida ele raramente para de falar. E isso é ótimo porque vai acrescentando conhecimento, contando histórias, piadas e informações. Falando claro da lenda do monstro e até colocando pra tocar algumas músicas tradicionais da Escócia. Era como estar ouvindo um programa de rádio ao mesmo tempo em que se apreciava tantas paisagens lindas pela janela.
Seguimos viagem, parando depois em Glencoe. Esta área do país foi utilizada pra gravação de algumas cenas da série Harry Potter – a própria J. K. Rowling declarou que a escola de Hogwarts fica na Escócia e a cabana de Hagrid e outros cenários foram montados ali em Glencoe. Vários outros filmes já usaram este lindo cenário também.
Os vários lagos (ou lochs) aparecem de vez em quando em meio às montanhas e aos campos de vegetação mista. Eu fiz a viagem no outono então as folhas ao chão davam um ar ainda mais lindo à paisagem. A imensidão das paredes destas montanhas verdes fazem a boca se abrir automaticamente como uma expressão de incredulidade. O vento lento é silencioso e com tanta natureza ao redor ficamos mais presentes. Qualquer som tem vida, é muito alto. O pisar nas pedras que se chocam, ou até um graveto no chão. Serve pra mostrar ainda mais a imensidão de onde estou. E só vai melhorando. Quanto mais o tempo vai passando, mais se vai em direção ao norte e mais lindas as paisagens vão ficando.
Por volta do meio-dia chegamos no Loch Ness. Dizer que o lago é de uma beleza sem explicação não é surpresa. Mas a questão é que não tem mesmo. Ele é um lago gigante. Mas é lindo. Algu´me explica isso? Não sei se é questão do tamanho do lago que chama atenção; ou as ondas batendo de leve na borda de onde o vejo; ou os pequenos morros dos dois lados dele com uma névoa mais ao fundo, que dá um ar mais místico; ou as histórias que envolvem aquela profundidade misteriosa de 227m. Não sei…
Neste momento pode-se ficando por Fort Augustus, onde está o lago, e almoçar. Há quem prefira fazer um passeio de barco pelo lago, mas preferi ficar só observando a calmaria da borda.
Inverness, a capital das Highlands, é o ponto mais ao norte do passeio. Não chegamos a explorar a cidadezinha, mas bem que gostaria, porque acho que ela não merecia nem um pouco o título de cidade mais feia do Reino Unido pelo que deu pra ver.
Na volta fizemos apenas uma parada pra tomar um café e depois retornamos a Glasgow, chegando por volta das 18h na cidade. Ah, também rolou uma parada extra pra ver ums Highland cattle ou Highland cow, ou seja, uma vaca das Highlands. Ela tem uma franja e tem chifres longos. São bem mais peludas. Ou poderia dizer apenas que são peludas né…
O meu amigo/colega-de-quarto canadense disse que gostou das Highlands mas depois de um tempo aprecia que os lagos eram sempre iguais e meio que ia perdendo a graça. Eu já discordo. Eu já acho que cada lago tem sua peculiaridade dependendo do conjunto todo e até da hora que foi visitado. Talvez por isso o Loch Lomond tenha sido um dos meus favoritos, por ter visitado ele por volta das 9h, quando o sol ainda refletia na água.
A Inglaterra também tem lagos, mas não tanto quanto a Escócia. A Inglaterra tem na verdade uma região chamada de Lake District (o distrito dos lagos). Mas você sabia que se pegar a água de todos os lagos da Inglaterra ela não é suficiente pra encher nem metade do Lago Ness? Pois é…

 

A Escócia é um país cheio de tradições, lugares lindos e pessoas muito simpáticas e respeitosas. Edimburgo tem um espaço especial no meu coração, que pelo menos por enquanto, é de Londres.

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