Esta foi minha terceira vez em Edimburgo, mas claro que bem mais especial, afinal foi quando pedi a minha guria em casamento.

Quem disse que aparência não é tudo, com certeza falou isso em Edimburgo. As casas e prédios são cinzas como o céu. As árvores e folhas ficam secas, contrastando com as ruas molhadas. Nada muito atraente até aí. Mas a essência da cidade, a atmosfera única e marcante, o que aqueles prédios cinzas e ruas molhadas guardam, isso é o que agrada e deixa a cidade linda como nenhuma outra.

Repeti algumas coisas que fiz da outra vez por desta vez estar com a Julia – e poder levar ela nos lugares e contar algumas histórias que ainda estavam arquivadas na minha cabeça. Um dos locais foi o Elephant House, onde J.K. Rowling começou a tirar da cacholinha dela a história de um bruxo chamado Harry Potter. Como tantos outros lugares pelo mundo, muita gente curte ir lá e ficar imaginando ela escrevendo e a história que tanto fascina a gente nascendo ali, numa mesa qualquer. O café (que pra mim é um restaurante) tem um ambiente todo decorado com tema de elefantes (não surpreendentemente), e seria bem aconchegante não fosse a fila de clientes e o corre-corre dos garçons. O menu é bilíngue em inglês e (se segura!) MANDARIM! Eu bati o olho logo numa trouxinha de espinafre e queijo feta (spinach and feta filo parcel) e foi o tipo de prato que apesar de ser bem servido a gula faz a gente ficar com vontade de comer mais.

Inclusive a Victoria Street, ali pertinho, também tem fama de ser uma das inspirações da J.K. Rowling pra criar o mesmo estilo das lojas do Beco Diagonal.

A Julia não tinha subido no Arthur’s Seat da primeira vez que foi pra Edimburgo, e meu amor é tão grande que aceitei repetir a dose – e também por lembrar que a subida é muito tranquila. No final tem um pouco mais de dificuldade mas no nível te-segura-nas-pedras-ali. Se essas pedras aparecessem no começo da trilha tenho certeza que muita gente não teria curiosidade em saber como é a vista lá de cima e perderiam o cenário deslumbrante pintado com prédios cinzas, chaminés amareladas e uma fumacinha branca de um lado; e um mar azul com barquinhos atracados do outro, um pouco mais distante. O nascer do sol foi nossa missão do dia, e é um ponto perfeito pra ver os primeiros raios que refletem gentilmente nos prédios da cidade, como se quisessem despertar os moradores de um jeito carinhoso e preguiçoso, daqueles que faz dar vontade de ficar dez minutos a mais na cama.

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