Guri Guru

Guri Guru: Loving Amy, de Janis Winehouse

Quero começar hoje um novo estilo de post aqui no blog pra movimentar mais ele e criar um conteúdo fresquinho pra ti. Eu consumo muita música o tempo todo e gosto de descobrir coisas novas. Vou compartilhar por aqui, todas as sextas, uma dica de música e às vezes (como é o caso hoje) um livro que eu li.

Mas nem por isso vou deixar a música de lado. Sempre vai ter uma música relacionada. Como o assunto de hoje é Amy Winehouse, eu deixo esta versão de uma música dela que gosto muito chamada Wake Up Alone. Esta versão está naquele disco que foi lançado depois da morte dela, aquele que tem ela na capa fazendo pose de “nossa que vergonha”. Ouve só, que delícia:

Agora vamos ao livro… Como ganhei este livro de aniversário (ano passado) e gostei muito, resolvi dividir um pouco do que achei por aqui. Aproveitei pra contar também uma pequena discussão que tive pelo Twitter com o pai da Amy.

Sou conhecido por meus amigos por amar Amy Winehouse. Tem várias coisas sobre ela aqui neste blog e lembro claramente do dia que ela morreu, que dois amigos me deram a notícia de forma bem pesarosa e tal.

Antes de falar sobre o livro é importante lembrar que eu também li o livro escrito pelo Mitch, pai dela, há alguns anos atrás. A diferença, no entanto, é que o pai tem um gênio muito mais forte que da mãe e isso fica muito claro mesmo que pelos livros. Li o do pai em português, mas como a tradução foi bem pobrinha (com expressões mal traduzidas, etc.) foi fácil de pegar a essência. Também vi o documentário/filme/como classificar? dela que foi feito recentemente e pude confirmar como é o pai dela com base nas falas dele e na repercussão que ele deu à obra.

Mas enfim… Volto a falar mais deste assunto logo, logo. Segue comigo…

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Este livro foi escrito pela mãe dela e é bem recente. Eu ganhei ele em fevereiro de 2015, li no ano passado, e agora que tirei as anotações pra fazer uma resenha que preste. Não sei dizer com certeza se já existe a versão em português (fique à vontade pra adicionar esta informação nos comentários).

O livro segue meio que uma linha do tempo, claro, mas ela vai associando fatos do passado com consequências do futuro. Ela descreve como a Amy era na escola, como ela recebeu a notícia da separação e como lidou com isso, etc. Claramente Amy era uma menina que se diferenciava das demais e dos padrões  impostos pelas escolas. Amy desenvolveu o lado artístico com total apoio dos pais e do irmão, sendo de família humilde (a mãe é farmacêutica e o pai era taxista, então não é uma família artística, por assim dizer).

É incrível como no meio da leitura parece que dá um salto e Amy é famosa e está caindo no poço. Não que haja este furo na história, pelo contrário. Tudo aconteceu de uma forma rápida, que pelo meu ver ninguém da família estava preparado pra situação toda, muito menos Amy.

Um dos trechos que me chamou atenção foi de quando a Amy ganhou um prêmio Ivor Novello, em 2004, e que ela bateu na porta da casa da Janis, ela abre a porta, a Amy abre o casaco, e de lá tira a estatueta. Até aí tudo bem. A questão é que ela foi até High Barnet, no norte de Londres, de metrô. Com a estatueta escondida dentro do casaco e ainda sem ter a famosa cachopa = sem ser reconhecida.

É triste ler o relato de uma mãe que perdeu uma filha da forma como foi a da Amy, onde muitas pessoas faziam o que podiam pra livrar ela disso tudo, enquanto outras (e ela mesmo) não se ajudava tanto assim. Pelo livro ficou ainda mais claro de perceber como a Janis era afastada das relações no que dizia respeito à carreira da filha. No início elas eram muito próximas, e aos poucos ela foi tendo a sensação de ter perdido a filha dela pra “indústria”. Fica tudo mais claro de como foi o envolvimento dos pais dela em todo o processo de reabilitação (isso mesmo, aquele que resultou no nooo noooo no da música dela) e como o Mitch era muito mais olho por olho e dente por dente.

Num dos trechos do livro Janis chega a admitir que estava cansada de ser a última a saber das coisas ou descobrir coisas de sua filha através de jornais. Ela assume também que nunca foi boa com a imprensa e que um jornalista levou várias fotos de um álbum pessoal dela que foram publicadas sem nem pedir permissão. Ela era vulnerável a este tipo de situação e diz que foi muito mais uma coisa do Mitch fazer, do que ela. Ele realmente gosta de exposição, e mesmo hoje em dia tira muito proveito disso.

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Janis sofre de esclerose múltipla e algumas situações que ela teve que passar por causa disso, e também as ações que foram feitas pra arrecadar dinheiro para a Amy Winehouse Foundation, fundação que ajuda a educar e tratar jovens com problemas pelo uso de drogas e álcool. A fundação foi criada pela família da Amy logo depois da morte dela.

Quem gosta de ler biografias e da Amy vai gostar muito do livro, porque conta de forma bem detalhada o surgimento da artista e como tudo aconteceu. É ótimo pra quem pensa que Amy andava o tempo todo drogada, que só fazia festas, enfim, só acredita no que os tabloides publicavam. O lado da Janis é claro e mostra a verdade: as vezes que sim, ela saía da linha, como teve os momentos péssimos, mas também a pessoa amável que podia e sabia ser. Ela mostra isso com afeto materno, e não com o lado comercial do pai. Muitas vezes dá vontade de fechar o livro e dar uns tapas na Amy, na mãe e no pai dela, mas depois a gente lembra que é tudo história, que não tem mais o que ser feito, e que com este tipo de coisas que a gente (seja eu, você, ou qualquer outra pessoa, aprende o que fazer e não fazer).

Certamente o livro só ajudou a reforçar meu carinho pela música e pela pessoa Amy.

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Esclarecendo o que havia comentado no começo do post, eu mesmo tive uma experiência um pouco desagradável com o pai da Amy. Quero dividir aqui só porque foram situações que eu vivi, nada que esteja a fim de treta (haha) ou algo assim.

Ele, Mitch, não gostou do filme/documentário feito sobre a Amy e deixou isso claro publicamente. Num dos dias ele postou que o Kapadia (diretor do filme e que também dirigiu “Senna”) havia sido criticado pela família e pelos amigos por não contar a história da maneira correta. Eu achei estranho, liguei meu farejador de mentiras e fui pesquisar algo a respeito online. Cheguei até o Instituto Ayrton Senna, criado também pela família de Senna, e eles mesmo estavam vendendo o DVD.

Eu respondi pro Mitch dizendo que não podia ser verdade exatamente pelo mesmo motivo:

Ele me respondeu por DM questionando se eu havia visto o que Alain Prost falou sobre o documentário (ele considerou Alain Prost amigo de Senna no caso… Sim, foda-se os outros amigos! Este “amigo” é o que interessa). Eu disse que sim, mas que era mentira a parte da família não ter gostado. Ele me respondeu de forma bem direta e irracional perguntando “você leu o que Alain falou, sim ou não?” “eu li” “ele gostou, sim ou não?” “ele não gostou” “pronto, Kapadia fez um péssimo trabalho”.

Sério… Eu só respondi algo como “beleza, já vi que não adianta discutir contigo que tua opinião não vai mudar e que você tem sempre que ter razão”. E não me respondeu mais.

Tire suas próprias conclusões.

Rafa, um Guri em Londres. Moro em Londres desde janeiro de 2014, sou guia de passeios temáticos a pé pra brasileiros e gosto de compartilhar como é a vida por aqui, além de contar mais sobre a história e cultura do Reino Unido. Sinta-se em casa!

3 Comments

  • Júlia Braga

    Obrigada pela Post Rafa ! Amy Winehouse é minha vida !!! Amo amo amo , o pai não sei Oq dizer porque não o conheço para falar , mais não o detesto , apensar de ser meio ignorante pelo visto , amy gostava muito dele , todo o tempo que a acompanhei via ela somente com ele e nunca vi a presença da mãe , e ela tinha uma tatuagem de menina do papai , então gosto dele por ela gostar , beijosssss e sempre fale da amy quando quiser kkkkk vou amar

  • Daniela Nogueira

    Rafa! Adorei o post e quero fazer algumas obs. 😉

    Primeiro: MUUUUITO OBRIGADA pela crianção do tópico. Eu ia te pedir isso, sabia? Indicações de bandas, artistas, tanto ingleses qto de outros lugares, pq eu AMOOO descobrir músicas e bandas novas, principalmente no cenário rock, pop, country e indie. Aqui no BR, tem uma rádio (não sei se vc conhece, pq não sei se toca no SUL), é a 89, a Rádio Rock. E tem um programa todas as tardes que eles trazem o rancking dos USA e Inglaterra (mais comuns) e da Billboard tbm, e eu pego mtas dicas lá. A maioria das músicas que ouço hoje eu peguei como referência lá. Uma delas é Shy Nature, de Londres, conhece?
    E tbm, qdo estive em Londres no ano passado, eu perdia o sono e entrava madrugada vendo BBC e acabei descobrindo na BBC Introducing vários artistas e bandas que passei a gostar.
    Sendo assim, vou amar saber as tuas dicas. ps: adoro Mumford and Sons. =D Continue, please!

    Segundo: sobre a Amy, eu confesso que nunca fui fã e nunca procurei saber nada sobre ela, apesar de sempre achar a voz dela sensacional. Qdo tudo aconteceu eu ainda tinha a atitude tacanha e preconceituosa que a maioria das pessoas tiveram e devem ter até hj. Mas, teu post me inspirou a saber mais, procurar o documentário e saber sobre a história dela, juntamente com a opinião de outros amigos meus, fãs dela, e é o que vou fazer.
    Blog sempre bom, com conteúdo legal, leve e divertido. Valeuuu Rafinhaaa!!! Bjss!!

    • Rafa

      Que demais Daniela! Obrigadão pelo comentário
      Fico feliz que via estar de olho no novo tópico do blog. Gosto muito de escrever sobre o assunto e espero mostrar muito material bom por aqui. Sim, BBC Introducing é ótimo! George Ezra surgiu por lá. =D
      Fico feliz também que tenha te inspirado a saber mais sobre Amy. É interessante entender de onde vem toda a inspiração pras músicas dela na veradde. A história dela é cheia de altos e baixos e com algumas lições pra gente, eu também diria.
      Obrigadão pela visita de sempre. =)
      Bjs!

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