GURI IN LONDON

Crônica: Tenho problema psicológico

A partir desta semana aqui no blog, todos os domingos são de uma crônica sem ter relação obrigatória com Londres. Textos soltos. Espero que curta e fique à vontade pra se manifestar!
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Fui morar sozinho quando tinha meus 20 anos (há 3 anos atrás) e às vezes me pegava falando sozinho na frente do espelho. Ou então sabe quando bate aquele momento de reflexão tipo “bah, será que era isso que eu queria fazer/ter feito?” e tu olha dentro dos teus próprio olhos refletidos no espelho? Então… Fazia muito disso depois que fui morar sozinho.

A casa era pequena e fazia com que eu vira e mexe me desse de cara com o espelho. Pausa pra dar uma olhada numa espinha que insistia em não sair e pá: lá tava eu olho no olho de novo.
Isso começou a me causar uma sensação estranha. Algo como se tivesse olhando o meu eu interior, mas externamente. Algo como se estivesse me assistindo num filme ou num sonho e como se a qualquer momento meu despertador fosse tocar. Ou o chão cair. Ou eu piscar.
Pisquei. Voltei. Coração martelando o peito. O que foi isso? Realidade ou não, afinal?
(Aconteceu de novo. Parei de escrever o texto pra respirar, inclusive)
Comecei a meditar. Tirava de 10 a 15 minutos por dia pra relaxar, acendia um incenso, colocava uma música com pouca harmonia e tentava esvaziar minha mente. Latido de cachorro? Opa, volta… Concentra. Uns dias depois os 15 minutos passavam e realmente eu conseguia alcançar alguns segundos (ou minutos?) com a mente transparente.
Um dia resolvi enfrentar aquele cara. Pensei “vou olhar nos olhos, analisar e ver até onde vou”. Fui até o limite. Durante esse tempo me veio do nada meu nome e aí fodeu. Meu nome levou a outros nomes, e questionamentos de por que estes nomes eram estes nomes e não outros nomes (isso tudo em um ou dois segundos), meu cérebro trabalhando rápido, a sensação de pânico crescendo. Parei. Não deu mais.
Pois essa sensação de viver num filme/sonho, ou falta de realidade, começou a ser mais frequente. Espelhos começaram a ser meus inimigos. O meu próprio reflexo, na verdade. O que o outro lado do vidro tinha contra mim? Não sei.
Descobri: pra todas as perguntas do mundo existe o Google. Neste caso o Dr. Google. Perguntei e estava lá: apresento-lhes o Transtorno de Despersonalização. Uma desordem que além de dar a sensação de sair do corpo que não te pertence e uma perturbação no que se refere ao tempo. Bacana, show. Tenho problemas psicológicos. E agora?
Agora é seguir meditando e aliviar a mente, não estressar ela e pronto. Pronto nada. Não lido com espelhos ainda. Até lido, mas meu pensamento tem que estar beeeem longe do banheiro pra que aquele carinha lá refletido não me assuste de novo.
E tu? Já passou por algo assim? Conta aí nos comentários!

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