GURI IN LONDON

Crônica: Pé da letra

Alguém, algum dia, e n’alguma hora não muito ocupada da minha vida (provavelmente na minha fase dos por ques) me explicou porque chamar uma pessoa desconhecida de tio/a: afinal, somos todos irmãos e então como irmão do meu pai e/ou da minha mãe, a pessoa passaria a ser meu tio. Tio do lanche, tia da merenda, e por aí vai.

Isso nunca me entrou na cabeça. Mas não posso chamar ele de irmão? Não, muito mano. Nada contra, mas não seria eu. A tia também pode ter uma denominação er… Estranha. No sul, pelo menos. Parafraseando Xirú Missioneiro, “tem tia de dezoito, tia de dezenove, tem tia loira tia morena, bastante tiazinha, só não pode levar pra casa, né?”. É.
Cresci (não muito, confesso) e nos dias de fazer trabalhos pra faculdade eu deixava pra outra hora, ou seja, empurrava com a barriga. Mas como assim? Tá, vou fazer. Mas bem mal feito. Feito nas coxas. Mas como assim? Nem que eu me imagine empurrando algo com a barriga ou fazendo algo nas coxas eu… Mas como assim?
Já tinha falado num outro texto e repito aqui: talvez o problema seja eu. Essa minha mania de levar tudo ao pé da letra. Entender o que foi dito. Mas é que sou mais do texto improvisado, do ser objetivo e claro. E assim que entendo tudo, como se todo mundo tivesse falando comigo assim.
Levar tudo ao pé da letra me faz pensar que na maioria das vezes tenho que ler as entrelinhas pra poder ir além ao invés de só ir. Levar tudo ao pé da letra limita minha curiosidade e sede do saber; não tira meu cérebro preguiçoso da zona de conforto. Levar tudo ao pé da letra me faz pensar quantos dedos tem o tal do pé da letra, afinal.

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