casinha com neve ao redor em frente a um lago no norte da noruega

Esta viagem à Noruega surgiu sem muito planejamento. Queria apenas descansar a cabeça por uns dias mas o plano de ler e tomar chimarrão em casa foi substituído ao de ler e tomar chimarrão na Noruega, e quem sabe ver aurora boreal e orcas.

O TEMPO

A previsão do tempo de -2 a -8 nos deixou um pouco preocupados, mas morando em Londres a gente aprende que não tem tempo ruim, tem má escolha de roupas. Recomendo monitorar a previsão do tempo na época que for viajar. Se tua intenção for ver aurora boreal, tem que ser no inverno mesmo. Se for de ver baleias também, porque elas vão à caça para amamentar seus filhos no mar da Noruega, bem ao norte, e apenas de novembro a fevereiro. E o calendário delas é bom. Neve, claro, também só nessa época.

Sei que estes números negativos podem assustar, mas calma! É totalmente suportável. O rosto à mostra sente principalmente o vento gelado, mas fora isso não tem pálpebra congelada ou coisa do tipo. Mas o corpo precisa estar quentinho. Como eu fiz:

  • Roupa térmica: tanto em cima quanto embaixo estava usando uma camada térmica. Usei a Ultra Warm Heattech da Uniqlo (várias lojas em Londres).
  • Camisa ou camiseta: simples.
  • Jaqueta: Na Uniqlo também tem várias opções naquele estilo corta-vento. Ela fica por cima da camisa e por baixo do que vem agora:
  • Jaqueta impermeável: Ajuda também no frio, não precisa ser só quando chove. A minha eu uso até mesmo nos tours quando tem previsão de chuva. Recomendo prestar atenção se tem velcro nas mangas; se o zíper fecha até o queixo e se o capuz tem uma aba pra cobrir os olhos. Uso e recomendo esta da Quechua.

O AIRBNB

O local onde ficamos foi pensando em dois fatores: afastado mas não totalmente isolado para (1) não ter barulhos e (2) não ter poluição das luzes da cidade pra conseguir ver a aurora boreal. A gente alugou um carro, então as opções ficam mais amplas.

A área de Svensby fica a cerca de 1h40 de Tromsø, depende de qual balsa vai conseguir pegar – ela é de hora em hora. A região possui cerca de 10 outras casas e um camping. Quando precisamos ir ao mercado dirigimos 20 minutos até Lyngseidet.

O Airbnb é este daqui, e caso seja a tua primeira vez usando o site tem um desconto de £ 23 na primeira reserva (em qualquer lugar do mundo) se usar este meu link pra se cadastrar.

Quando estava considerando as opções de Airbnb sempre consideramos o tempo até Tromsø, afinal nosso voo já chegou no meio da tarde. Recomendo que faça o mesmo, considere deslocamento do aeroporto e até o local de início de passeios, se for o caso.

A ideia de ficar sete noites foi pra ter mais chances de ver a aurora boreal, o que se mostrou uma ótima ideia – já vai ficar claro o motivo.

A casa de dois quartos era muito confortável e ficaria lá de novo facinho. A sacada tem uma vista linda do fiorde logo em frente. Apesar de ela parecer fria quando chegamos, com os aquecedores ligados já dá pra ficar de manga curta dentro de casa. Ligando a lareira então, não foram uma ou duas vezes que abrimos a janela pra entrar um ar mais fresco na casa. O dono da casa deixou alguns paus de lenha pra gente usar, mas indicou um mercado a 20 minutos de lá (o mais próximo) caso a gente quisesse comprar mais.

O que também assustou na chegada foi ver que cada cama de casal tinha apenas duas cobertas de solteiro, uma pra cada pessoa. Não achei que uma coberta seria suficiente pra me esquentar, mas claramente estava errado.

CARRO

Sempre gosto de alugar carro antes de chegar no local. Para alugar eu uso a Rentalcars.com que compara diferentes locadoras e por ter um volume grande de locações eles acabam tendo um valor bom negociado com as companhias.

Ao retirar o carro fiz cara de sério, como se fosse extremamente acostumado a dirigir na neve (vai que ele muda de ideia e não quer mais me alugar) e perguntei ao funcionário se teria que alugar equipamentos de neve ou algo assim. Pausa. Ele me fez uma cara de “o que tu ta falando?” e me explicou que o pneu de todos os carros já foram mudados pro de neve.

Depois de caminhar pelo estacionamento puxando malas e com neve batendo na cara que tivemos a ideia de apertar o botão do carro pra descobrir onde ele estava. O que foi uma ótima ideia porque com a placa coberta de neve jamais teríamos achado ele.

Dirigir na neve foi mais tranquilo do que eu imaginava. Claro que prudência é necessário mas em nenhum momento me senti com medo. Isso graças ao pneu apropriado e ao tratorzinho comedor de neve que passa de vez em quando atirando a neve pra fora da pista. #primeiromundo Só na subida da casa que alugamos que não rolou de subir até bem nela porque a subida estava com muuuuita neve e o tratorzinho comedor já havia passado. As travas do pneu não foram suficientes e o carro não foi. Deixamos o carro na parte de baixo e subimos os 300m finais com malas e sacolas na mão. Em duas idas.

O PASSEIO

Em um dos dias programamos de fazer um passeio de barco para ver baleias e orcas mais ao norte ainda. Foi aí que percebi como os noruegueses são organizados e preocupados com segurança.

Na nossa primeira data o passeio foi cancelado pela própria empresa porque a nevasca estava muito forte, então foi o que o capitão achou melhor. Na data remarcada a gente não conseguiu ir porque uma das estradas estava fechada. O motivo? Perigo de avalanche. Estávamos com medo? Nem um pouco. Era do outro lado do fiorde, e mesmo assim percebemos que eles tomam medidas de precaução caso algo grave ameace acontecer.

No terceiro dia (e nosso penúltimo dia de viagem) o passeio finalmente rolou. O barco da Brim Explorer é híbrido e bem novinho. A empresa é recente, mas fazem tudo com tanta segurança e confiança que dá a parecer que estão há anos fazendo aquilo.

A questão do híbrido é super importante, afinal primeiro ele vai com o diesel, depois híbrido e ao chegar perto da área onde estão as orcas ele troca pro elétrico. Fica super silencioso e flutua com suavidade por entre as montanhas.

AS ORCAS

Nunca fui tão pro norte na minha vida. Lembra da aula de geografia? Latitude e longitude? Pois bem… Latitude zero é na linha do Equador e o máximo é 90º bem em cima (ou embaixo, de fato) do globo. Londres está em altitude 51.5053. Lajeado Grande, de onde eu vim, -21.01 (sul, no caso). Já a ilha de Skjervøya fica na latitude 70.033186.

A tripulação da Brim Explorer não reconhece esta área pela latitude e nem sempre pelo nome. Mas sim pelo apelido de Portão para o mundo das baleias. Pela grande quantidade de peixes elas vão lá pra se alimentar e poder alimentar seus bebês.

Depois de duas horas e pouco pelos fiordes chega-se nesta ilha. No caminho a tripulação explica a programação, como localizar as áreas do barco que eles se referem (como 12 horas, por exemplo, se referindo à frente do barco) e o que espera-se ver.

Vale a pena abrir mão do conforto do interior do barco e do café quentinho pra fazer umas fotos e sentir o vento gelado no rosto por alguns minutos. É uma oportunidade única na vida de poder passear no meio destas montanhas com neve quando as 10h da manhã chegam mas o sol não vem junto. Ele fica atrás das montanhas, parece que com preguiça de se mostrar num dia gelado assim.

O capitão usa um binóculo pra ver onde estão as orcas, muda o barco pra elétrico e vai se aproximando delas. Respeitando o espaço e a natureza. Elas não estão lá porque são treinadas ou porque nós ou outras pessoas dão comidas. Elas estão lá porque é a natureza delas. Nosso papel é apenas assistir e apreciar. Sempre com respeito.

De longe elas vão se aproximando. Ao invés de uma agora são várias. Com suavidade elas aparecem rapidamente na superfície da água. Um espetáculo que parece ensaiado pra ser silencioso, categórico e cheio de graça. Algumas vezes três ou quatro orcas aparecem juntas, quase num ritmo preciso.

O sol ainda preguiçoso agora já com cara de quem vai se pôr, enfeita o ambiente natural destes animais gigantes e lindos. Nos arredores apenas a imensidão do céu, um par de outros barcos menores, e muitas pequenas montanhas nevadas, daquelas que a gente vê na TV, em documentários sobre o pólo norte.

Mesmo que todos já tenham feito suas fotos e apreciado as orcas, o capitão insiste em se mudar pra outro lado da ilha pra ver mais algumas. Tem momentos que dá pra ver elas pegando velocidade juntas na superfície, como que se estivessem até brincando. No meio disso tudo até uma maior e mais barulhenta baleia-jubarte aparece para deixar ainda mais perfeito.

O retorno a Tromsø começa junto com a escuridão da noite das 12h30. No caminho de volta pessoas se trocam fotos enquanto outros se aquecem com uma sopa ou um café quente. O que todos tem em comum é o sorriso no rosto por ter presenciado um momento comum pra natureza, mas incomum pros nosso cotidiano.

A Brim Explorer faz outros passeios, inclusive o da aurora boreal, onde veem a aurora boreal de dentro do barco, no meio dos fiordes. Não chegamos a fazer este, afinal temos que deixar alguma coisa pra próxima visita. =)

E que seja logo Noruega, e que seja logo! <3


A temporada para ver as baleias dura da primeira semana de novembro à primeira semana de fevereiro; enquanto o passeio da aurora boreal vai de novembro a abril. Caso viaje fora desta época, não se preocupe! Eles também tem um tour pelos fiordes com observação de animais (saiba mais aqui).

A AURORA BOREAL

Uma sensação única. Mesmo não tendo visto com tanta intensidade e através das nuvens, a sensação foi inesquecível. Do nada o céu recebe alguns jatos de luz verde, algumas se movimentam e o corpo se arrepia. Como pode a natureza ser tão perfeita e nos oferecer espetáculos assim? O ambiente todo foi perfeito: esposa e amizades por perto, o chão branco de neve e o céu seco e com o espetáculo rolando.

Ainda queremos voltar para ver novamente com o tempo melhor, e quando a atividade for mais forte (parece que a previsão é pra 2024).

Para ver a Aurora Boreal é importante saber de alguns fatores muito importantes:

1. Localização

Como regra geral, quanto mais próximo ao pólo norte mais chances de ver a aurora boreal. A atividade natural acontece nos pólos, então por isso precisa ser bem pro norte. É importante também (como comentei acima no nosso Airbnb) ficar em algum lugar afastado de iluminação pública, luzes de casa, etc. Quanto mais isolado melhor. Mas claro que se estiver de carro pode sempre dirigir pra um lugar um pouco mais isolado.

2. Clima

Não é essencial ter tempo bom, mas quanto maiores forem as nuvens, menor a chance de ver, obviamente. Sabe aquelas excursões que dirigem por horas pra achar um lugar legal? Basicamente o que eles fazem é encontrar um lugar sem nuvens ou com pouca incidência.

3. Índice KP

No primeiro dia que vimos o índice estava em 1.66. já no segundo dia estava em 2.33, e dava pra ver claramente a intensidade diferente. Pra fotografar usei f4.0, ISO 800 e a velocidade no primeiro dia foi 25 segundos. No segundo dia foi três segundos. Já dá pra ter uma ideia como estava bem mais intenso né?

Eu indico o app My Aurora Forecast (Apple | GooglePlay). Ele informa o índice KP e a quantidade de nuvens na tua localização; e permite que mude a localização pra ver como estão as nuvens por lá. Também já faz o cálculo de qual a chance de ver a aurora boreal naquela noite.

 

Espero que já esteja programando tua viagem pra Noruega. Depois por favor me conta como foi? Com certeza não é a última vez da gente naquele país, então a troca de informações e dicas por aqui é sempre muito legal. =)

Veja outros posts de viagem pelo mundo aqui.

Planeje sua viagem com os parceiros que eu confio e uso:

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3 comentários

  1. Eu amei seu texto, muito informativo, divertido, claro e até poético. Amei. Onde vc escreveu sua experiência vendo a aurora boreal?! Obrigada Rafael

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