Sempre tive paixão pela música. Frase meia batida essa, se for pensar. Todo mundo é apaixonado pela música, o que muda é só o estilo de cada um, não? Tá, verdade, uns são apaixonados por ouvir, outros por dançar e outros por fazer música.
Acho que o que mais me encaixo é neste último mesmo. Um amigo me ensinou como “ler” a posição dos dedos nas notas musicais, como interpretar cada uma, uma noção rítmica e lá fui eu. Mal-e-mal sabia o que era Google, mas numa das aulas semanais de inglês em Caxias consegui encontrar algumas teorias sobre violão, algumas cifras e me atraquei. Peguei emprestado o violão do meu primo, criei meu próprio método de auto-aprendizado (ou auto-ensino?) e consegui. Coitados dos meus vizinhos. Ainda bem que tava no campo. Mas mesmo assim, só aprendia (ou me ensinava) quando estava sozinho. É princípio próprio não incomodar e não ser incomodado. Nem acomodado.
Feito. Uns meses depois já sabia bater nas cordas do violão.

Me mudei pra Caxias e resolvi comprar meu próprio violão quando fui morar com meus tios. Voltei pro meu método e me trancava no quarto cerca de 15 minutos por dia. Guri envergonhado, aprendendo a se soltar no curso de comunicação, ainda nem sequer arriscava soltar a voz pra cantar. De quando em vez arriscava até a surrar as cordas ao invés de só bater nelas.

Passa mais um tempo, eu e meu violão fomos morar sozinhos. Me obriguei a me dedicar ao estudo de vez, agora que tinha tempo pra assistir vídeos, podia fazer barulho e o violão tava sempre ali, escorado na parede fria da minha casa de 30m². Muita poeira acumulava naquela casa. Várias vezes as cordas do violão chegaram a enferrujar.
Era hora da traição: conheci o Mateus na Universidade e comecei a fazer aulas de bateria com ele. Me apaixonei de vez. A paixão pelos tambores e pratos tomou conta de mim que dois meses depois investi na minha bateria eletrônica. No entanto, se as cordas do violão achavam que apanharam, os pratos e tambores de borracha da Alesis levaram uma sova por dia. Já meu violão, aquele que foi meu companheiro até de mudança, foi vendido. Mudou de casa e pra mãos mais profissionais do Diego. Se bem que hoje o foco dele é a gaita. Xi, também traiu o violão, mas que vida a do coitado!
Com a mesma garra e determinação de quem quer passar em concurso público, foquei nos estudos. Quando vi já estava tocando na minha primeira banda, com quem também fiz meu último show antes de me mudar. Recebi convite pra outra, tive a ideia de outra com amigos, amigos de amigos, novos amigos, ex-amigos e até que me dei conta de que estava em cinco projetos diferentes. Foi quando resolvi agradecer novos convites.
As benfeitorias que a música me trouxeram, no entanto, são inarráveis em qualquer texto sobre meu passado. Meu círculo social ficou mais aberto, a comunicação mais facilitada, as amizades ampliadas, o gosto musical aperfeiçoado e a atitude e o positivismo imperando. Afinal de contas, agora eu posso fazer música. Agora eu posso tocar bateria!
No entanto, meu conhecimento sobre violão nunca passou daquelas paredes. Devem estar lá ainda, ecoando a minha traição até hoje, naquela música mal tocada em Dó Maior. Que dó.

***

MIND THE GAP: Por falar nisso: numa das últimas segundas-feiras fui matar a saudade de fazer um bom blues aqui em Londres. Seis meses sem tocar, dois anos e meio depois  de começar a estudar. Me inscrevi na jam session, subi no palco do Aint Nothin’ But, um dos bares de blues mais famosos de Londres, do ladinho de Oxford Circus e me arrepiei à vontade com a energia da galera, do palco e da música. Tá aí um pedacinho (update 16/11):

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=B0IuEgk4-40]

MIND THE GAP 2: Pra quem tiver em Londres e quiser participar é só chegar, se inscrever e pronto. Não precisa nem pagar pra entrar. O bar fica no número 20 da Kingly Street, Oxford Street Station. Free na segunda-feira de jam session
MIND THE GAP 3: Tô com vontade de trair de novo. Comprei um teclado e tô começando a aprender. Mas por enquanto só me arrisco sentar atrás de uma bateria mesmo.

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