Estava eu dando uma “bizolhada” nas notícias da terrinha semana passada e vi que os Correios estavam de greve e também que tinha paralisação no transporte público de Porto Alegre. É isso mesmo, coterrâneos?
Aqui em Londres não estamos livres disso. Terça-feira passada o London Underground (parte do metrô da Transport for London – TfL, empresa estatal que administra o transporte público) entrou em greve também. Desde às 21h30 o metrô não operou em muitos trechos, não parou em muitas estações e algumas nem chegaram a abrir. A medida foi tomada pelos funcionários depois que a empresa que a TfL decidiu fechar alguns escritórios de venda de tickets e demitir muitos funcionários.
Pois bem, motivo dado, ação programada, e agora? E agora que a London Underground, desde a sexta-feira anterior à greve (4 dias antes) começou a emitir comunicados informando sobre a ação. E agora que um dia antes, eles informaram quais linhas estariam funcionando, quais os horários, tudo detalhado. Pra ter uma ideia do quão detalhado é tudo isso que eu tô falando, clica aqui e dá uma olhada no comunicado completo.
Pois na quarta-feira, no meio da greve, eu estava em casa escrevendo pra este blog =] dentre outros serviços online e resolvi levar o meu “home office” pra rua e ir pra um café próximo da estação de Charing Cross. Chequei os status das linhas do metrô antes de sair de casa e lá fui eu, em pleno dia de greve, usar o transporte público. O plano era pegar um ônibus até a estação de North Greenwich, dali ir até Waterloo, trocar pra Northern Line e ir até Charing Cross. No ônibus tudo certo, nada de atraso e nem de lotação. No metrô, aviso por todos os lados, mas já tinha estudado a rota. Cheguei na plataforma e o trem chegou comigo. Sorte, porque estavam vindo trens a cada 5 minutos (sim, “tudo isso” entre um trem e outro).
Chegando em Waterloo, eis meu erro: peguei o trem pra Charing Cross, tudo bonito, mas a estação estava fechada. Ele acabou parando duas estações depois, em Tottenham Court Road. O que também me ajudou, já que também tinha um café quase ao lado, em plena Oxford Street. Pra voltar pra casa também, tudo certo, tirando que o trecho de ônibus demorou mais ou menos o dobro do normal, simsplesmente devido ao trânsito do horário (que aquele dia estava ainda pior). A London Buses, por sua vez, colocou mais ônibus operar, além de funcionários nas estações pra organizar, devido ao grande fluxo desta alternativa.
A London Underground também convocou voluntários para ajudarem no dia da greve a manter “tudo funcionando” à medida do possível. A greve foi da noite de terça até a noite de quinta. E ela não acabou porque chegaram a uma negociação. Não. Ela acabou porque o início e o fim foram programados, com data e hora. E semana que vem vai ter de novo, seguindo a mesma coisa: data e hora pra começar e terminar.
Em resumo: mesmo com greve, a cidade andou. Claro que no horário de pico os trens estavam super lotados e que realmente os 5 minutos entre um e outro já eram demais. Estações também lotaram, vi muita gente desinformada, que não sabiam que algumas estações estavam fechadas e tudo mais. Mas a cidade não parou por causa disso. Dá a entender que a ideia da greve dos funcionários nem era essa, de parar a cidade, mas sim de causar um pouco de transtorno e chamar a atenção pra causa principal deles (a demissão dos tantos funcionários).
Das pessoas que eu conheço, uma delas me comentou que havia pego outra greve em 2009 (exato, há 5 anos atrás!). O que concluimos? Que atitudes assim são tomadas pelos funcionários somente quando se faz estritamente necessário, justamente porque há a valorização do funcionalismo e porque eles trabalham de forma que os faz serem valorizados. Prova disso é a qualidade inquestionável do transporte público londrino.
Estatizar ou privatizar?
Aí entramos na questão: estatizar ou privatizar? Não tenho embasamento estatístico pra dizer quantas cidades do Brasil administram o próprio transporte público, mas posso falar do que conheço: em Caxias do Sul, onde morei por 6 anos, só tem uma empresa que administra o transporte, sem nenhuma concorrência. A tarifa está hoje (11/02) nos R$ 2,75. Os ônibus são bons, mas para por aí mesmo. Linhas mal estudadas e distribuídas, dando a entender que a qualidade fica mesmo em segundo plano, depois de fazer o lucro necessário e economizando em frota, combustível e funcionários. Já por aqui a realidade é outra: os ônibus são ótimos (a maioria é de dois andares, pra começar), o sistema de tickets é eficiente, a frota é enorme, a frequência melhor ainda (da minha casa é a cada 8 minutos em horários de pico, 12 em horário normal, e 30 de madrugada), e as linhas muito muito muito bem estudadas.
Além disso, a Transport for London ofereceu aos usuários outras alternativas de transporte, como bicicleta, ônibus, trem, rail, DLR e até o Tâmisa.
Baseado na experiência do transporte londrino não tenho medo em afirmar: desde que haja uma política pública eficiente e que ela também seja aplicada ao transporte público, vale a pena sim, estatizar. Mas vai desde o princípio. Se nem todos os serviços básicos funcionam, como o transporte vai funcionar também? O caminho mais curto é mais rápido, mas nem sempre o mais eficiente. Vamos privatizar e pronto, assinado, Brasil.
Bah 1: Me contem: como tá a greve no Brasil? Como está o transporte público? Acha que é melhor estatizar ou privatizar?
Bah 2: A greve ia ter mais uma etapa começando hoje, mas foi cancelada.

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