Prédio clássico com flores vermelhas na fachada em Paris

Paris é realmente uma cidade encantadora, mas não para de ler ainda. Espero te contar alguma coisa que tu ainda não saiba. Até porque confesso que Paris não foi tudo aquilo que eu tava esperando Рapesar de nem eu saber ao certo o que tava esperando.



Paris não é suja, mas não muito limpa; Paris não gosta de falar inglês, mas fala se chegar com jeitinho; e Paris tem cafés e parques onde tu seria capaz de passar o dia inteiro, e quando tu vê já passou o dia inteiro.

Gostei da escolha de me hospedar em Montmarte, o bairrinho charmoso e que recebe bem os visitantes. Sacré Coeur e Moulin Rouge estão ali. Eu poderia falar mais, mas tem um post bem completo e escrito com muito mais propriedade por quem entende do assunto no Conexão Paris.

sacre coeur paris, igreja a noite

A Bas√≠lica de Sacr√© Coeur tem o privil√©gio de estar no ponto mais alto de Paris, e da escadaria desta linda Igreja cuja constru√ß√£o foi finalizada no in√≠cio do s√©culo passado, a vista que se tem de Paris l√° de cima √© um presente. √Č um convite a viver o presente. L√° n√£o h√° problemas. Na escadaria tamb√©m √© t√£o normal quanto Londres ficar sentado comendo e olhando pro nada. Ao mesmo tempo que olha pra tudo. A visita vale n√£o s√≥ pela vista mas pela bas√≠lica e suas obras de arte, e pelas lojinhas de souvenir com pre√ßos bem mais pag√°veis – e √†s vezes negoci√°veis.

Como tudo o que sobre desce, ao ir às Galerias Lafayette a descida foi tranquila e prepara a cabeça pro boulevard movimentado. A Lafayette foi como um museu: só olhei, não comprei nada Рaté porque não havia ido com essa intenção.

Paris

Paris √© bem servida pelo metr√ī, mas diferente de Londres o metr√ī de Paris tem vag√Ķes antigos (que me lembra inclusive o Trensurb de Porto Alegre). As catracas de entrada e sa√≠da s√£o maiores e menos conservadas o que me levou a concluir que n√£o muito raramente eram puladas e burladas. Foi importante misturar a cara de perdido com o mapa das esta√ß√Ķes √† m√£o. O ouvido ficou apurado rapidinho pros nomes em franc√™s.

Em 1806, alguns meses depois de ter perdido a Batalha de Trafalgar, Napole√£o Bonaparte mandou que se constru√≠sse o Arco do Triunfo para celebrar as suas vit√≥rias. Ali tem gravado o nome de 128 batalhas e 558 generais. Como gosto de surpresas, ir de metr√ī foi uma sensa√ß√£o tri, de sair da esta√ß√£o e dar de cara com o Arco.

 



Outra surpresa foi atravessar a Champs-√Člys√©es e depois olhar pra tr√°s. O Arco do Triunfo j√° tinha visto, mas n√£o muito longe dali est√° ela: a Torre Eiffel. O primeiro contato a gente nunca esquece. A primeira olhadela. Agora sim: estamos em Paris. Paris nos tem.

A calmaria de se caminhar pela margem do Rio é digna de filmes: pessoas elegantes se protegendo do frio, folhas no chão, um barquinho que outro deslizando pelo Sena, e a Torre Eiffel ao fundo me esperando. Quase consegui ver ela me acenando.

Catedral de Notre Dame em Paris com o tempo nublado e com a torre de pé, antes do incêndio de 2019

Seguir o mapa pode ser uma boa ideia, mas √†s vezes sem gra√ßa e sem emo√ß√£o. Cortar caminho nos mostra uma Paris diferente, √© um banho de Paris! Ao chegar na Champ de Mars o c√©u deixou de ser cinzento e abriu um feixo azul. A paisagem do gramado com a Torre ao fundo d√° um senso de realidade. √Č o estar em Londres e ver o Big Ben, ou estar no Rio e ver o Cristo. √Č o que faz a ficha cair. E quanto √† torre, n√£o sei explicar como 324m de ferro tem uma beleza t√£o elegante, sendo notada sem chamar aten√ß√£o.

Pra nossa sorte, depois que a Exposi√ß√£o Universal de 1889 terminou ela n√£o foi derrubada, como era o plano. Acabou se tornando ao inv√©s disso um dos monumentos pagos mais visitados do mundo. Espero que todo visitante n√£o tenha uma crian√ßa chorando ao lado, claramente pela impaci√™ncia da demora da fila e do aperto do n√ļmero de pessoas. Mas se bem que subir na Torre Eiffel √© um daqueles casos que √© dispens√°vel por ser mais bonito ver ela do que estar nela.

Prédio clássico com flores vermelhas na fachada em Paris

A casa da Monalisa

Sim, ela √© pequena, n√£o chega a 1 metro de altura. 77 cent√≠metros, pra ser exato. A hist√≥ria do sorriso da Mona √© uma das tantas quest√Ķes que deixou o quadro famoso. Outra √© aquela hist√≥ria das pir√Ęmides, pra cima ou pra baixo, ilustradas no filme “O C√≥digo Da Vinci”. No mesmo filme, gra√ßas √† mesma quest√£o, aparece tamb√©m a pir√Ęmide invertida de dentro do Louvre.

Quadro da monalisa sem ninguém na frente no museu do louvre por leonardo da vinci

A casa da Monalisa é grande. O mapa me informava que outras obras ainda estavam nos esperando. Mas fiquei impaciente porque Paris também estava me esperando ali do lado de fora. Não fiquei nem perto do tempo que o Louvre merece. Não me refiro a voltar dias e dias, mas fiquei muito pouco tempo mesmo, o que se tornou só mais um motivo pra voltar no futuro.

Atravessando a Pont des Arts os olhos se desviaram da aten√ß√£o do rio e foram presos pelos cadeados (olha esse trocadilho hein!) por toda a ponte. Do outro lado da ponte est√° o charmoso bairro de Saint-German-des-Pr√©s. Mais uma vez bate aquele momento que tu suspira e pensa “cara, t√ī em Paris!”. As ruas de arquitetura √ļnica, com janelas longas e floridas; com pr√©dios enfeitados com sacadas; e o novo disfar√ßado de velho. Um bom exemplo disso √© o lugar onde jantamos por ali, o Le Procope, um restaurante que funciona desde 1686 e era frequentado por Napole√£o! Pra quem pede por provas eles mostram as cartas e o chap√©u que ele usava.

Os cafés e bares de Saint-German à noite são um convite pra voltar. Não apenas ao bairro, mas voltar pra Paris.

At√© logo, Paris. ūüôā



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