Tenho que confessar que antes de ir eu n√£o sabia nem sequer onde ficava Malta – o que pra um ex-agente de viagens n√£o √© muito bonito de se dizer. Eu achava at√© que era um pa√≠s pequeno tipo M√īnaco e San Marino, sabe? Acertei no quesito “pa√≠s pequeno” (423 mil pessoas – menos que Caxias do Sul), mas errei porque s√£o v√°rias ilhas pertinho da Sic√≠lia. E pra quem gosta de praias lindas, mar √≥timo, aventura, hist√≥ria e cultura pode chamar Malta de “pr√≥xima viagem”. Por qu√™?

A sa√≠da da Sic√≠lia via Pozzallo (que caso tu n√£o tenha lido os posts √© melhor dar uma bica) foi tranquila, apesar de cansativa. Ficamos no B&B Persi Nel Sud e a querida da Ers√≠lia, a hostess, foi demais! Ela at√© serviu o caf√© da manh√£ s√≥ pra gente uma hora antes do in√≠cio e fez quest√£o de agendar o t√°xi e imprimir os tickets do ferry pra n√≥s. Chegamos no porto uma hora antes da sa√≠da do ferry (9h15) pra fazer todos os procedimentos, que s√£o poucos e um pouco in√ļteis – pra que passar duas vezes em controle de passaporte, tch√™?

A viagem √© tranquila e o catamar√£ √© equipado com dois bares, sala de jogos, banheiros e solarium. √Č exibido um filme durante os 90 minutos de viagem.

Malta deu show j√° na chegada. A m√£o inglesa, a organiza√ß√£o dos √īnibus e a educa√ß√£o das pessoas lembram nossa querida Londres – e faz a saudade bater. O que nos fez lembrar que n√£o era Londres era o idioma malt√™s (apesar de o ingl√™s tamb√©m ser idioma oficial) e alguns estabelecimentos fecharem √†s 13h e reabrirem √†s 17h. At√© j√° lembrei da It√°lia e seus hor√°rios malucos – ainda frescos na mem√≥ria. E tem bastante galera com carro rebaixado e som alto e da√≠ entra a veia brasileira.

Ao atravessar a rua nos deparamos com aquela faixa de seguran√ßa com o zigue-zague do lado dela (pra avisar o motorista da exist√™ncia dela), sabe? Que nem em Londres! M√£o inglesa (que nem aonde?) e taxistas desesperados por passageiros, sussurrando destinos ao p√© do ouvido. Caminhamos at√© a nossa parada de √īnibus e compramos o ticket v√°lido para o dia inteiro em Malta por¬†‚ā¨ 1.50 (pasmem galera dos vinte centavos). Descobri qual √īnibus era antes de vir, pesquisando pelo Google Maps, e as paradas s√£o organizadas tamb√©m que nem em Londres – e parei com a repeti√ß√£o chata. Um s√≥ √īnibus nos levou direto ao hotel em cerca de uma hora.

A parada j√° era em frente ao Maritim Antonine Hotel & SPA, na cidade de Mallaha. O hotel fica h√° cerca de 25 minutos a p√© da praia (ou mais ou menos 7 de √īnibus), possui tr√™s piscinas, empr√©stimo de toalhas e tudo mais.

Na primeira noite fez feio: cortina caiu, tinhas coisas que n√£o eram nossas na geladeira e a TV parava de funcionar do nada. Como pedido de desculpas recebemos o voucher pra um coquetel cortesia cada no pub deles. Julguem.

Assistimos o p√īr do sol do primeiro dia na nossa praia, como decidi chamar a praia de Mallaha. Ela n√£o √© muito grande, mas √© linda! Areia fina, √°gua verde-esmeralda e peixes em cardumes de um lado pro outro me enxeram os olhos.

Quase n√£o piscava pra n√£o perder o p√īr do sol e fiz bem. Sensacional √© uma palavra modesta pra definir o que registramos.

Fomos na “nossa praia” nos tr√™s primeiros dias, al√©m de aproveitarmos a estrutura que o hotel nos ofereceu. Relaxante, sim ou com certeza? No outro dia fomos pra Mdina, a cidade amuralhada de Malta, tamb√©m conhecida como Cidade do Sil√™ncio. 258 moradores fazem jus √† fama. O que contraria isso, no entanto, s√£o as carruagens dos passeios que passam por ali e, como as ruas s√£o forradas de turistas zanzando de um lado pro outro, eles ficam buzinando como se n√£o houvessem t√≠mpanos.

As ruelinhas tomaram esta forma depois da invas√£o normanda em 1091. Caminhamos por elas por cerca de 1 hora e j√° conhecemos todos os lugares.

Nossa visita aconteceu dois dias antes do Gran Prix de Mdina, uma corrida de carros clássicos pelas ruas fora das muralhas (porque dentro seria impossível). Naquele dia, estava acontecendo um evento com alguns dos carros que iriam participar da competição e a praça principal estava bem concorrida. E com milhares de Euros em carros polidos e expostos.

No outro dia fomos at√© a Igreja Mosta Domo. Este domo √© o terceiro maior do mundo – depois do da Catedral de S√£o Pedro, no Vaticano; e do da St. Paul’s, em Londres.

Além disso, o que chama atenção aqui é a réplica de uma bomba que está exposta lá dentro. Isso, bomba de guerra, booom, explosão. Só que ela não explodiu. Num dia de abril de 1942 estavam mais de 300 pessoas rezando, pedindo que a guerra terminasse quando a bomba cai no meio da Igreja e acontece o milagre: ela não explode e todos saem sem nem um ferimento.

Al√©m de praias bonitas e organiza√ß√£o e falta de √īnibus, Malta tamb√©m √© hist√≥ria. O potencial tur√≠stico da ilha √© bem estruturado e n√£o √© pra ser explorado em um par de dias, mas sim com paci√™ncia e aten√ß√£o a cada sutil detalhe. A natureza √© espl√™ndida, claro, e por isso preferi dedicar um outro post inteirinho sobre o nosso passeio a Gozo, Comino e Blue Lagoon.

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