O Príncipe Charles Philip Arthur George nasceu em 14 de novembro de 1948, no Palácio de Buckingham. É o primeiro filho da Rainha Elizabeth II e do Príncipe Philip, e também o herdeiro aparente mais velho da história britânica. Além do título de Príncipe de Gales, ele acumulou vários outros ao longo da vida: Duke of Cornwall, Duke of Rothesay (Escócia), Earl of Carrick, Barão de Renfrew, entre outros.
O Rei Charles III é muito mais do que apenas “o marido de Diana” ou “o eterno herdeiro da Rainha”. Ele é uma pessoa super interessante, cheio de ideias, polêmicas, projetos inovadores e curiosidades que atravessam décadas de história britânica.
Aqui tem um vídeo que fiz sobre ele anos atrás (ainda antes de ele virar rei):
Formação, educação e primeiros passos fora da tradição
O rei Charles III foi preparado por décadas para esse papel. Bem, desde criança, afinal era inevitável que ele assumisse o trono. Desde jovem ele acompanhava (às vezes de perto e às vezes de longe) a rainha Elizabeth II em compromissos oficiais.
Charles quebrou tradições da realeza ao ser o primeiro herdeiro aparente a frequentar escolas tradicionais. Estudou na Hill House School, Cheam School e Gordonstoun (esta última é mesma escola do pai, Philip, e que aparece bastante em The Crown). Depois foi para Universidade de Cambridge, onde se formou em Artes. Isso faz de Charles o primeiro monarca britânico a conquistar um bacharelado.
Só depois da vida acadêmica ele cumpriu a tradição militar, servindo na Força Aérea e na Marinha britânica entre 1971 e 1976. Em 1994, durante um pouso autorizado pelo piloto, Charles perdeu o controle da aeronave após estourar um pneu. Apesar do susto, ninguém se feriu. Desde então, ele abriu mão de pilotar.
Muita gente acreditou no mito de que ele renunciaria pra deixar William e Kate assumirem o trono, até porque o casal é mais popular. Mas isso nunca foi cogitado: a monarquia britânica se baseia em tradição e sucessão direta, e não em popularidade. O trono passa de pai pra filho, e a função do rei Charles III é, claro, manter esse legado.
Leia também: O que a família real britânica faz?
Afinal, qual é o poder do Rei Charles III no Reino Unido?
Algumas das perguntas que mais ouço nos meus tours em Londres: “O rei manda mesmo? Ele pode decidir tudo? A monarquia tem poder real sobre os britânicos ou sobre países como o Canadá e a Austrália?”. Essas dúvidas aparecem o tempo todo.
Hoje, o poder do Rei Charles III é muito mais simbólico do que político. Ele representa tradição, continuidade e estabilidade, mas quem toma as decisões de verdade são o Parlamento e o Primeiro Ministro. Ainda na época da rainha Elizabeth fiz um vídeo falando um pouco sobre o poder do monarca, olha aqui:
O Rei Charles III pode decidir sobre política?
O rei não pode opinar publicamente sobre política. Isso significa que ele não se posiciona a favor ou contra partidos, crises ou decisões governamentais, como Brexit ou taxação por exemplo. É claro que ele tem opinião pessoal (é humano como todo mundo) mas a função da monarquia é simbolizar união, não divisão. Ele pode expressar essa opinião diretamente ao Primeiro Ministro em reuniões semanais que eles tem, mas não significa que o PM, que é Chefe de Governo, precise acatar algo do que ele fala.
Então o que realmente o Rei Charles faz?
O rei Charles III é Chefe de Estado do Reino Unido e de alguns outros países. Isso significa que o papel do rei Charles vai muito além do glamour real. Ele representa oficialmente o Reino Unido em eventos, cerimônias e compromissos diplomáticos. Quando teve visita de Estado do Presidente Macron ou do Presidente Trump, por exemplo, ele que oferece o jantar no Palácio d Buckingham ou no Castelo de Windsor - e não o Primeiro Ministro, que é Chefe de Governo.
O dia a dia do rei mistura tradição, diplomacia e cerimônias. Ele recebe líderes estrangeiros, participa de eventos religiosos e militares, visita escolas, hospitais e instituições de caridade. Charles é patrono de mais de 600 instituições diferentes, e Charles mantém essa tradição de apoiar causas ligadas ao meio ambiente, sustentabilidade e arte.
Ele também concede honrarias, como os famosos títulos de Sir e Dame. Também é quem recebe os convidados nas garden parties no Palácio de Buckingham e no Palácio de Holyrood, e entrega prêmios como o King’s Award for Enterprise, que reconhece empreendedores e projetos de impacto. Tudo isso é importante cultural e socialmente, mas não interfere diretamente na política do país.
Antes mesmo de ser coroado, ele já atuava como braço direito da mãe, comparecendo em nome dela a cerimônias como o Remembrance Sunday, o tradicional Domingo da Lembrança, que homenageia soldados britânicos mortos em combate. Então ele deposita a coroa de flores no Cenotáfio, no centro de Londres. Isso mostra o respeito às vidas perdidas, quando o Chefe de Estado, a pessoa mais importante da nação, se curva pra fazer tal homenagem.
Ele também é o chefe das Forças Armadas e, em teoria, é quem declara guerra. Mas isso nunca é feito por conta própria: a decisão parte do Primeiro Ministro e do Parlamento. O rei apenas cumpre a formalidade.
É como se o monarca fosse o dono de uma grande empresa: ele dá a imagem, o prestígio e a estabilidade, mas quem administra o dia a dia é o CEO — no caso, o governo eleito liderado pelo Primeiro Ministro.
Por que o governo ainda é chamado de “His Majesty’s Government”?
Ao vencer as eleições, o líder do partido vencedor precisa ir até o Palácio de Buckingham. Ali, o Rei Charles III pergunta formalmente se essa pessoa aceita formar um governo em nome de Sua Majestade. A resposta, claro, é sempre positiva. Por isso até hoje o governo britânico se chama “His Majesty’s Government”.
Parece besteira, mas isso é tão simbólico quanto no Brasil o ato de passar a faixa presidencial. É o momento que a pessoa formalmente recebe o peso do seu cargo. E é tão sério que em 2022 Liz Truss foi de jatinho até a Escócia pra que a Rainha Elizabeth pudesse fazer a fatídica pergunta a ela. Poderia ter sido feito por Zoom? Sim. Mas é assim que tradições e simbolismos são mantidos.
O Rei Charles III pode vetar leis aprovadas pelo Parlamento?
Tecnicamente sim, mas na prática não. Toda lei aprovada precisa da assinatura do rei, mas isso virou apenas uma formalidade. Desde 1707 nenhum monarca britânico vetou uma lei. Se Charles III fizesse isso, seria considerado uma afronta enorme à democracia e ao povo que elegeu seus representantes.
O Rei Charles III e a liderança da Commonwealth
A Commonwealth é uma comunidade de 56 países, a maioria ex-colônias do Império Britânico. Todos são independentes, mas mantêm relações históricas e culturais com o Reino Unido. A liderança da Commonwealth não é automática. Durante décadas, Elizabeth II foi escolhida como chefe. Já estava decidido que Charles a sucederia, e hoje ele é oficialmente o líder da Commonwealth.
O poder em outros países
Além de ser rei do Reino Unido, Charles III também é Chefe de Estado em 15 países, entre eles Canadá e Austrália. Mas, de novo, esse poder é principalmente simbólico. Nestes países tem um Governor General, que representa o rei. Os países são independentes, tomam suas decisões e têm seus parlamentos. Eles não pagam imposto ao Reino Unido e não são subsidiados de nenhuma forma.
A imagem do rei tende a aparecer em moedas e notas destes países. Mas quem governa de verdade é o primeiro-ministro canadense, eleito pelo povo.
Quanto custa a monarquia britânica hoje?
Esse é outro ponto que sempre gera discussão. Pesquisas apontam que a monarquia custa cerca de £1,40 por britânico ao ano. Não é um valor exorbitante, mas divide opiniões: há quem ache um custo justo pelo retorno em turismo e prestígio internacional, e há quem defenda que não deveria existir gasto nenhum com a monarquia.
O custo não é diretamente de impostos, mas financiado pelo Crown Estate: propriedades da Coroa Britânica que são vrndidas ou alugadas e uma porcentagem subsidia a família real nas suas questões oficiais.
O impacto social: o príncipe que virou empreendedor
Bem antes de se tornar rei, Charles já tinha uma carreira impressionante dentro da própria monarquia. Em 1976, ele fundou a Prince’s Trust, agora chamado de King's Trust, instituição que apoia jovens em situação vulnerável com programas de educação, emprego e empreendedorismo. Hoje, a rede de caridades arrecada mais de £ 60 milhões por ano, ajudando milhares de pessoas.
Observe que a fundação do King's Trust foi em 1976, ainda antes de ele conhecer Lady Diana Spencer, mais tarde Princesa Diana; e antes da fundação da instituição de caridade da rainha Elizabeth II.
Charles é apaixonado por agricultura orgânica e por temas ambientais, algo que defende desde a década de 70, muito antes de virar assunto. Sua propriedade de campo, Highgrove, virou exemplo de sustentabilidade com jardins orgânicos e energia solar.
Charles também é conhecido por apoiar a arquitetura sustentável e até medicina homeopática, inclusive aplicada em sua fazenda.
O rei Charles já publicou quatro livros, incluindo The Old Man of Lochnagar, um conto infantil para o irmão Edward.
A popularidade do rei e a visão para o futuro
Durante anos, o nome de Charles esteve ligado ao turbulento casamento com a princesa Diana. Mas, com o tempo, e especialmente após sua coroação, a imagem do rei Charles III vem sendo reconstruída.
As novas gerações não viveram o auge de Diana e enxergam o rei sob outro prisma, como um homem que trabalhou décadas em silêncio, assumindo deveres sem buscar aplausos. Isso ficou mais evidente depois da coroação, quando as pessoas começaram a prestar atenção nas ações do rei e refletir sobre o que ele já havia se envolvido antes da ascensão ao trono.
Hoje, ele lidera uma monarquia mais enxuta e moderna, voltada a temas sociais e ambientais, tentando equilibrar tradição e futuro. Ele entende que representa séculos de história enquanto ajuda a monarquia a se adaptar a um novo mundo. Dá pra ver que Charles segue os passos da mãe, mantendo o respeito às tradições, mas também traz uma nova pauta: sustentabilidade, cultura e serviço público.
As pessoas também notam como o rei Charles é mais "próximo" do que a rainha Elizabeth, que assumia sempre uma postura mais intocável. A prova maior disso foi quando a seleção feminina de Rugby da Nova Zelândia foi visitar o rei no Palácio de Buckingham e pediu um abraço. Ele mais do que prontamente "por que não?" e caiu na risada ao ser abraçado por todas ao mesmo tempo.
Já em outra ocasião, alguns ciclistas encontraram o rei por acaso enquanto pedalavam no interior da Escócia. Aqui o registro do encontro:
Mas se tu encontrar o rei, não vai sair pedindo abraço viu! Aqui tá um manual pra saber o que fazer:
Como se portar diante do Rei Charles III
Encontrar o Rei Charles III seria pra muita gente o auge da viagem pra Londres. E daria aquele frio na barriga, né? Mas calma, estou aqui pra te ajudar! Vou te explicar tudinho sobre como se comportar diante do Rei Charles III sem parecer perdido (nem virar meme internacional 😂). Já fiz um vídeo falando sobre isso, ainda na época da Rainha Elizabeth, caso prefira assistir, está aqui:
Essas tradiçções vem de séculos de monarquia. Mas hoje, o site oficial da Família Real deixa claro que nada é obrigatório, no entanto a maioria prefere seguir o protocolo.
O primeiro contato
Nada de sair distribuindo apertos de mão. A regra é simples: só toque no Rei se ele tocar em você primeiro. Se ele estender a mão, ótimo, cumprimente com firmeza e um sorriso discreto. Se não, mantenha as mãos quietinhas e o carisma no olhar.
Na hora de falar, a primeira vez deve ser “Your Majesty” (Sua Majestade). Depois disso, se a conversa continuar, use “Sir”.
Como fazer reverência ao Rei Charles III
Não precisa ajoelhar nem encostar a testa no chão, ok? Uma pequena inclinação de cabeça já mostra respeito e educação. As mulheres que quiserem podem fazer o “curtsy”, aquele leve dobrar de joelhos com uma perna atrás da outra, como se fosse um passinho de dança. Mas se tu ficar com medo de tropeçar no salto, deixa pra lá.
Etiqueta britânica: o Rei Charles III vem primeiro
Na monarquia britânica, o tempo gira no ritmo do rei. Ou seja:
- Só cumprimenta quando ele cumprimentar.
- Só senta quando ele sentar.
- Só come quando ele começar a comer.
É tradição e funciona assim até hoje em banquetes oficiais. Aliás, o convidado de honra sempre senta à direita do Rei, e ele conversa primeiro com essa pessoa durante o primeiro prato. No segundo, vira pro lado esquerdo. Isso é tradições em eventos e jantares formais.
O que falar (e o que não falar) com o Rei Charles III
Nada de fofoca de tabloide, hein? Então, por favor, não manda um “ow, e a Camilla, é gente boa mesmo?” As conversas ideais são sobre arte, natureza, arquitetura, sustentabilidade, temas que Charles ama de verdade. Ele é um grande defensor do meio ambiente e adora falar sobre projetos ecológicos e patrimônio histórico.
Dizem que ele é bem conversador e gosta de ir a fundo nos assuntos, entendendo o que está sendo falado, adicionando pontos na conversa e até fazendo uma brincadeira de vez em quanto.
O final da cerimônia com o Rei Charles III
Assim como começa, o Rei é o primeiro a encerrar o evento. Quando ele se levanta, é hora de todos seguirem o fluxo, sem pressa, sem tchau animado estilo churrasco de domingo. E se você for embora antes dele? Bom… não tem guilhotina, mas é considerado bem descortês.
💂♂️ Quer ver o Rei Charles de perto em Londres?
Mesmo sem convite oficial, dá pra sentir o clima real e conhecer a história nos lugares mais icônicos da cidade. Mas atenção: não é garantido que tu vai ver o rei em nenhum destes locais!
Palácio de Buckingham

O majestoso Palácio de Buckingham.
➡️ Reserve seu ingresso antecipado neste link para visitar o Palácio de Buckingham.
Troca da Guarda
Um clássico londrino! O desfile dos guardas em frente ao palácio é uma das tradições mais antigas do Reino Unido. O rei não aparece, mas às vezes acontece a coincidência de ele passar de carro indo da casa dele (Clarence House) até o palácio, e dar o acaso de vê-lo.
Eu sempre recomendo fazer esse passeio comigo, um guia credenciado Blue Badge, pra assistir à troca do ângulo certo, com a melhor vista e explicações históricas que transformam o momento em algo inesquecível. Mais informações aqui.

A banda da Guarda Real participa da tradicional troca da guarda.
Se você ama história e quer conhecer mais dos bastidores da família real, também vale a pena visitar o Castelo de Windsor, outra experiência imperdível pertinho de Londres. É lá onde está enterrada a rainha Elizabeth II e onde aconteceram várias visitas de Estado nos últimos anos. Eu também faço passeio em Windsor.
Indico visitar também o local onde Charles III (e antes dele, Elizabeth II) foram coroados, a Abadia de Westminster. Reserve sua visita aqui.
Este artigo foi originalmente escrito durante o reinado da Rainha Elizabeth II e atualizado após sua morte, quando Charles III assumiu como rei. Originalmente publicado em Outubro de 2020, atualizado em Setembro de 2026.
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