Rabat, Casablanca e Marrakesh fizeram minha viagem ao Marrocos ser aquele misto de surpresa, encantamento e um pouquinho de “onde é que eu tô me metendo?”. É aquele tipo de destino que te pega desprevenido — no melhor sentido.
Primeira parada: Rabat — uma capital que surpreende pela tranquilidade
Quando a gente pensa em capital, imagina caos, buzina, trânsito e gente pra tudo que é lado — estilo São Paulo em dia de chuva.
Mas Rabat é o oposto disso.
A cidade tem uma vibe organizada, limpa e silenciosa, muito por ser a sede do governo e onde vive o rei do Marrocos. As ruas são amplas, arborizadas e com policiamento frequente, o que traz aquela sensação de segurança que todo viajante ama sentir.
A medina de Rabat: o caos clássico, mas acolhedor
Se a parte moderna é toda comportada, a medina é o choque cultural que te joga direto no coração do país.
Ali tu encontra:
ruelas estreitas que parecem labirinto de videogame,
vendedores que surgem do nada,
lojas que vendem absolutamente tudo,
artesanato, especiarias, couro, tecidos, tapetes,
motos passando a 2 cm da tua perna,
gatos preguiçosos dormindo no meio do caminho.
No começo, confesso, dei aquela travada — especialmente porque eu tava com mochila, câmera e ar de turista perdido.
Mas logo percebi que ninguém estava interessado em mim. A vida ali segue num ritmo próprio, alheio ao visitante.
Segurança em Rabat: mais tranquila do que parece
O dono do meu bed & breakfast disse com todas as letras:
“Rabat é uma cidade muito segura, pode andar sem medo.”
E realmente senti isso. Mesmo nas ruelas mais estreitas, o clima é de comunidade, não de ameaça.
A saga para encontrar meu bed & breakfast em Rabat
Agora, guri… deixa eu te contar: encontrar o B&B foi quase uma prova de reality show.
Eu passava pela mesma esquina, as mesmas portas, a mesma loja de tapetes umas dez vezes. Google Maps não funciona direito no miolo da medina, e os becos parecem clones.
Até que um senhor percebeu minha cara de desespero e, com a maior calma do mundo, me guiou até a porta certa.
E valeu cada segundo: a casa era linda por dentro, cheia de azulejos, pátio interno com fontes e aquele cheiro de tradição marroquina misturado com hortelã.
Primeira refeição: comi como um rei gastando £1
Sem restaurantes por perto, voltei às barraquinhas e comprei:
dois pães fresquinhos,
um cacho de uvas,
um iogurte enorme.
Total: $11.92 dirhams — cerca de £1.
Não existe almoço melhor no quesito custo-benefício.
O que fazer em Rabat: história viva em cada esquina
Torre de Hassan: o monumento que parou no tempo
A Torre de Hassan é imponente mesmo inacabada.
A obra começou em 1195 e foi interrompida no meio, mas o resultado é uma paisagem cinematográfica: a torre alta cercada por pilares de pedra que parecem sentinelas silenciosas.
Ali tu sente a história — o vento quente batendo, o sol refletindo no chão claro, turistas caminhando devagar, quase em reverência.
Sugestão de imagem:
– foto da Torre com céu laranja
– pilares alinhados
– close dos detalhes do arenito
Kasbah dos Oudaias: o pedaço mais bonito de Rabat
O Kasbah é uma obra de arte ao ar livre:
casas brancas com azuis vibrantes,
portas decoradas com desenhos árabes,
vasos de flores que quebram a monotonia das paredes,
gatos (sempre eles),
músicos de rua tocando instrumentos tradicionais.
É impossível não sorrir caminhando ali.
E, claro, tive minha experiência “mafioso marroquino” quando fotografei um músico que depois tentou negociar um preço absurdo pelas fotos. Apaguei as fotos na frente dele — ou melhor, “apaguei”.
Rabat → Casablanca: entre ônibus, vendedores e um trem com ar-condicionado salvador
A saída de Rabat até a estação é uma aula de economia local.
É impressionante como tem gente vendendo absolutamente tudo:
quadros,
roupas,
cadeiras,
panelas,
balanças (!),
frutas,
brinquedos,
ferramentas.
É uma fusão de mercado de pulgas com feira livre.
E tudo funciona, tudo circula.
O ônibus é barato. O trem é melhor.
A passagem de ônibus custa cerca de $4 e é sempre uma cena: gente correndo atrás do veículo, perdendo chinelo, entrando pela porta lateral.
Mas o trem… ah, guri.
Meu trem pra Casablanca era de dois andares, moderno, limpo e com ar-condicionado potente.
Parecia um trem europeu novo — melhor que alguns da França inclusive.
Leia também: Guri em Oxford / Guri na Bélgica / Guri na Irlanda
Chegando em Casablanca: caos sonoro, cultura e energia
Casablanca é movimento puro.
A primeira coisa que tu nota?
As buzinas.
Muitas. O tempo todo. Sem pausa.
Fiz até o teste: tentei achar um intervalo de dois minutos sem buzina.
Não existe.
Táxis em Casablanca funcionam no modo "Uber Pool" espontâneo
Mesmo que tu chame um táxi só pra ti, o motorista pode parar no caminho pra pegar outro passageiro.
Não assusta — é padrão local.
A Mesquita Hassan II: uma das construções mais impressionantes do mundo
Se tem um lugar que tu PRECISA visitar em Casablanca, é a Mesquita Hassan II.
Ela é:
a única mesquita do Marrocos que permite entrada de não-muçulmanos,
a sétima maior do mundo,
equipada com teto retrátil,
construída parcialmente sobre o mar,
decorada com detalhes que parecem ter sido pintados à mão um por um,
capaz de receber 25 mil pessoas no interior e 80 mil no exterior.
A arquitetura é tão monumental que tu se pega olhando pra cima o tempo todo — e abrindo a boca involuntariamente, tipo criança na Disney.
Horários e preço
Tours às 9h, 10h, 11h (exceto sexta) e 14h.
Entrada: $120 dirhams.
O clima ao redor da mesquita
Ao redor da mesquita tu vê:
famílias conversando,
jovens ouvindo música,
turistas fotografando,
pessoas se refrescando na água,
silêncio e barulho misturados — uma harmonia marroquina.
É um lugar que te abraça pela grandiosidade.
A medina de Casablanca: mil quinquilharias, mil gatos
Casablanca tem uma medina mais caótica que Rabat:
vendedores chamando alto,
produtos do chão ao teto,
movimento constante,
gatos em cada esquina.
Por incrível que pareça, me senti mais seguro ali do que estaria num beco aleatório no Brasil. É uma energia intensa, mas não agressiva.
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Rua Mohammed V: sol, sorvete derretendo e tradição
Caminhei uns 3 km extras por ter errado o caminho — acontece nas melhores viagens.
O calor tava tão forte que meu sorvete derretia mais rápido do que meu cérebro processava.
E aí encontrei um vendedor servindo uma bebida gelada num copo de alumínio.
Pensei que fosse chá — e fui pedir.
Era só água gelada por $1.
Esses vendedores usam roupas tradicionais e são super simpáticos.
E diferente de Marrakech, aqui não pediram dinheiro pela foto.
Jantar marroquino: tajine obrigatório
Comi um tajine tradicional — carne macia, vegetais cozidos, tempero perfeito.
Um menu com três pratos custou $65 dirhams (cerca de £5).
Alimentação boa e barata é uma constante no Marrocos.
A noite terminou com aquela vibe marroquina gostosa: gente conversando, crianças correndo, vendedores chamando, buzinas inevitáveis.
🚆 A viagem de trem até Marrakesh
Lá estava o Rafael na estação de Casablanca, impressionado com a eficiência da malha ferroviária do Marrocos. Tudo parecia funcionar perfeitamente. Até o trem atrasar 15 minutos (ok, nada demais pros nossos padrões…). Mas nada me preparou pra o que eu iria encontrar em Marrakesh, Marrocos.
Mas quando o trem chegou… meus amigos, que diferença! O da primeira parte da viagem era moderno, confortável, até com ar-condicionado. Já este parecia ter vindo diretamente de Feiolândia.
Tive que ir de pé no fundo de um vagão, junto com mais umas dez pessoas. Mochila no chão, outra nas costas e câmera a postos, lá fomos nós rumo a Marrakesh, com o vagão de porta aberta, alguns passageiros sentados ali mesmo e muito árabe no ar.
Lá pelas tantas, um senhor entrou e falou comigo em árabe. Respondi em inglês que não entendia, e ele pediu licença pra colocar a mala dele ao lado da minha. Tudo bem! Ele ajeitou as bagagens e seguimos. Uns me olhavam de canto, curiosos por eu estar filmando, mas ninguém disse nada. E registro aqui: os marroquinos são muito gentis e educados.
Contei sobre a experiência neste vídeo aqui:
🏨 Chegada a Marrakesh Marrocos e o famoso “guia” improvisado
A viagem durou 3h30. Meia hora depois, o senhor (que mais tarde descobri se chamar Mohammed) mandou um sonoro: “YOU! COME WITH ME!”. Pegou a mala dele e uma das minhas mochilas, e saiu andando. Obedeci. Me levou pra um compartimento com três dos oito assentos vagos, guardou minha mochila no bagageiro e ordenou: “SIT DOWN.” Quase respondi um “Sir, yes sir!”.
Seguimos em silêncio — eu quieto, eles falando em árabe. Quando precisei ir ao banheiro, deixei as mochilas rezando pra encontrá-las de volta. E estavam lá! O banheiro, por outro lado, era um espetáculo à parte: a porta não fechava, o vaso não tinha cano e a pia não funcionava.
Quando voltei, Mohammed puxou conversa. Achou que eu era inglês (culpa da mochila do Chelsea!), mas logo descobriu que era brasileiro. Me deu dicas pra chegar ao hotel, passou o número, me adicionou no Facebook e se despediu com um “No problems. We are all brothers.”
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Da estação ao hostel fui a pé, debaixo de sol, com mochilas e um sorvete na mão. Quando já estava quase chegando, meio perdido, um guri de uns 17 anos gritou: “Marrakesh Rouge!” — o nome do meu hostel.
Achei que era um sinal dos céus e segui o menino. Claro que ele me levou direitinho… e cobrou $200 pelo “serviço”. Tentei argumentar, mas acabei pagando. Considerei uma doação cultural e segui feliz.
A recepção do hostel foi tipicamente marroquina: chá de menta, bolo, e mil explicações sobre a cidade. Meu quarto não tinha porta (literalmente), mas o clima era tranquilo e a arquitetura tradicional compensava.
À noite, provei um dos pratos mais famosos do país — o cuscuz marroquino — acompanhado de azeitonas e pão fresquinho.
🕌 Medina, museus e o encanto de Ben Youssef
Caminhar pela medina é obrigatório em qualquer viagem a Marrakesh Marrocos. No caminho, visitei o Museu de Marrakesh (ok, bonito, mas nada de outro mundo) e logo depois a Escola Corânica Ben Youssef, que é simplesmente linda! Cada detalhe é de babar.
Dica: o ingresso custa cerca de $20 e vale muito mais que o museu. Dá pra visitar os dormitórios e observar a arquitetura islâmica típica, cheia de mosaicos, arcos e simetria.
🌶️ Mercado de Especiarias de Marrakesh Marrocos: cores, cheiros e histórias
O Mercado de Especiarias da Medina é uma explosão de cores e cheiros — chás, ervas, grãos, pó de tudo quanto é tipo. Os vendedores são simpáticos, mas persistentes.
Comprei um chá que adorei e quis levar um pacote. Começou em $130, caiu pra $80 e terminou em $70 quando falei que era brasileiro. “Sim, estamos quebrados, amigo”, pensei.
🐍 Jemaa el-Fna: caos, cobra e suco de laranja
A famosa Praça Jemaa el-Fna é o coração pulsante de Marrakesh. Muita gente, muito barulho, muita vida. Tem barracas de suco, comidas típicas, mágicos, músicos e encantadores de serpentes.
Dica: se for tirar foto de um macaco ou de um encantador, paga-se e caro. Melhor evitar pra não incentivar o sofrimento dos animais.
Subi num café com terraço pra fotografar o pôr do sol. A vista é linda, mas pra subir, só consumindo algo. A água custa $10, então capricha na foto.
🏰 Palácio El Badi e a história de Marrakesh Marrocos
O Palácio El Badi, ruínas do século XVI, é imenso e impressionante. Foi construído pelo rei Ahmad al-Mansur após a Batalha dos Três Reis (que envolveu Portugal!). Com o tempo, foi desmontado e suas riquezas usadas pra erguer outro palácio.
A visita é rápida, mas interessante — ingresso em torno de $10. Só vá preparado pro calor, porque sombra ali é artigo de luxo!
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💬 Negociações, relógios e histórias da medina
As Saadian Tombs também valem uma visita rápida — arquitetura linda, mas pouca explicação.
Depois, fui bater perna na medina pra gastar os últimos dirhams (ou “dimdim”, como eu brincava). Vi uns relógios e acabei comprando um por $250 — de $650 iniciais! Negociei tanto que o vendedor quis me ensinar a pechinchar. Pena que o relógio parou no dia seguinte. Até hoje marca 9h em ponto.
🌇 O pôr do sol e os personagens da praça
A pracinha central de nome impronunciável tem um pôr do sol incrível — e muita gente ignora, ocupada demais com os sons e cheiros da cidade.
Um dos personagens típicos é o vendedor de água com roupas coloridas. Eles adoram ser fotografados, mas cobram por isso. Vi um turista pagar três vezes até desistir. Tô pra dizer que nem água tinha naquele recipiente.
🐪 Hora de ir (e vontade de voltar)
No dia de ir embora, acordei antes do sol — cortesia do “uivador oficial” da mesquita. Peguei táxi pro aeroporto (de $150 por $130, olha o poder da negociação!) e me despedi de Marrakesh com aquele sentimento agridoce de quem viveu muito em pouco tempo.
No hostel, uma inglesa me contou sobre um passeio de duas noites no deserto, uma num hotel e outra acampando, com direito a camelo. Já anotei pra próxima viagem.
Porque Marrakesh, Marrocos, é assim: caótica, acolhedora, intensa e completamente inesquecível.
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[Última atualização: Outubro de 2026]










