Guri em Istambul

por Rafa
9 abril 2023

Primeira vez em Istambul: entre o choque cultural e o encanto 🕌

Foi minha primeira vez em Istambul, e já adianto: que mistura fascinante de cultura, história e caos. 😅
Viagens pra lugares tão diferentes do que estamos acostumados sempre geram dúvidas, então espero esclarecer várias das tuas aqui — do transporte ao que vale (ou não) fazer por lá.

Logo de cara, algumas observações práticas:

  • Quase todo lugar aceita cartão, mas vale sacar dinheiro (usei WISE, que não cobra taxa).

  • Leva um lenço ou echarpe pra entrar nas mesquitas — compramos um por 80 liras (£3).

  • Barganhar é cultural, mas nem todo lugar aceita (onde tem placa “no bargain”, esquece 😆).

  • O atendimento é… digamos, mais tranquilo. Já vi garçom parar tudo pra olhar o celular no meio do pedido.

  • O pessoal é viciado em celular — parecia Londres na hora do metrô!

  • Chip de internet não tem preço fixo; vimos 15GB por 500 liras (£22), mas optamos por usar só Wi-Fi.
    👉 Compre seu chip de celular aqui.

  • Evitamos táxi (muitos relatos ruins e golpes).

  • O Istanbulkart é essencial: funciona no tram, metrô, ônibus e balsa. Um cartão serve pra até 5 pessoas e cada trajeto sai por cerca de 10 liras (£0.40).


🏡 Onde ficar em Istambul

Ficamos em um Airbnb perto da Praça Taksim, ótima localização pra quem quer ter fácil acesso a supermercados, metrô e ao aeroporto.
O anfitrião, Tarik, foi super atencioso, explicou tudo e até deu dicas locais de restaurantes e compras.

O apartamento tinha tudo: máquina de lavar, micro-ondas, forno, fogão e geladeira, e só um detalhe — prepare-se pra subir ladeira. 😅
Mas a vista compensa… e os gatos pelo caminho também. 🐈


Dia 1: o primeiro mergulho em Istambul

Começamos a viagem com um passeio guiado, algo que sempre recomendo (e ofereço em Londres também!).
Reservei pelo Airbnb Experiences com o guia Cengiz, que nos apresentou à cidade começando por um café típico na Lale, uma confeitaria local.

O café da manhã turco é farto: queijos, ovos cozidos (quase crus, aviso 😅), tomate, pepino, pão, manteiga e chá.
A Julia pediu uma sopa de lentilha vegana — até descobrir que tinha manteiga. Custo: 115 liras (£5).


Hagia Sophia: a joia que une religiões e séculos

A Hagia Sophia foi igreja, virou museu e hoje é mesquita novamente.
Construída no século 6, é um dos lugares mais simbólicos do mundo: mistura mosaicos com imagens de Cristo (alguns ainda visíveis) e inscrições muçulmanas com os nomes de Allah e Muhammad.

A entrada é gratuita, mas a fila leva uns 20 minutos.
E, claro, sapatos fora antes de entrar!


A cisterna da basílica e o Grand Bazaar

O segundo ponto foi a Cisterna da Basílica, construída em 532 pra armazenar água pro palácio real.
São 336 colunas de mármore, algumas reaproveitadas de templos antigos — um visual impressionante, que até apareceu em filmes do 007.

Depois, fomos pro Grand Bazaar, com mais de 4 mil lojas.
É um labirinto incrível de ouro, temperos, tecidos e doces — e sim, dá pra pechinchar (mas com respeito).

Terminamos o dia exaustos e felizes, tomando café enquanto o pôr do sol caía sobre as cúpulas da cidade.


Dia 2: entre mesquitas, tradições e o Bósforo

Começamos o dia de leve e fomos almoçar no Hatay Medeniyetler Sofrası, restaurante do famoso chef CZ Burak (aquele dos vídeos no Instagram 👀).
Poucas opções vegetarianas, mas conseguimos montar um bom prato com saladas e hummus — saiu cerca de £17 o casal.


A Mesquita de Fatih: o coração espiritual de Istambul

Queríamos conhecer uma mesquita local, sem o turismo em massa.
Acertamos em cheio com a Mesquita de Fatih — sem placas em inglês, sem fila, só os locais.
Chegamos bem na hora da oração e ficamos observando o ritual em silêncio.

Mulheres cobrem a cabeça, sim. Crianças correm, gente conversa, e ainda assim tudo flui com respeito.
Foi um dos momentos mais bonitos da viagem. 💛


Mesquita de Suleymaniye e o cruzeiro pelo Bósforo

Depois, visitamos a Mesquita de Suleymaniye, igualmente linda e um pouco mais turística.
De lá, seguimos pro cruzeiro noturno pelo Bósforo.

Confesso: esperava mais.
O jantar vegetariano foi ok, as músicas típicas eram interessantes, mas as fotos vendidas a 150 liras cada e o álbum a 1.650 liras (£72) pesaram.
Ainda assim, valeu pela vista e pela experiência cultural (dou nota 6/10 😅).


Dia 3: o lado doce de Istambul 

Nada como terminar a viagem com doces turcos!
Fomos até a Karaköy Güllüoğlu, tradicional confeitaria que tem baklava vegana (e deliciosa!).
Cada pedaço saiu por £1 — doce no sabor, salgado no bolso 😄

Almoçamos no Tahim, focado em falafel, kibe e hummus. As porções eram generosas, e o preço ótimo: £14 no total.
Experimentei o Ayran, um iogurte salgado servido como suco — diferente, mas gostoso.

Oficina de lâmpadas turcas: a melhor experiência da viagem

Reservamos pelo Airbnb Experiences um workshop com o Bunyamin, e foi sensacional.
Ele nos levou até o lado asiático (minha primeira vez no continente!) e contou histórias sobre a cidade enquanto a Julia criava a própria lâmpada turca.

Foi um processo calmo, sem pressa nem venda forçada — só aprendizado e boas conversas (e um gato fofo nos observando 🐱).
O upgrade pra luminária de mesa custou £9 e valeu cada centavo.
Saímos com um souvenir feito à mão e uma lembrança inesquecível.

Pessoa montando uma luminária com mosaicos de vidro colorido, rodeada por potes de peças artesanais.

O cuidado artesanal dá vida a cada detalhe desta luminária única, feita com delicados mosaicos de vidro.


O sabor do adeus: Galata Tower e Künafe 

No último dia, passamos pela região da Galata Tower (optamos por não subir) e almoçamos no Vegan Dükkan Lokanta, onde comi um kebab vegano incrível.
Pra sobremesa, fomos ao clássico Hafiz Mustafa 1864 provar o Künafe, uma torta quente de queijo e açúcar.
Não tem nada a ver com cheesecake — é queijo mesmo, e eu amei pela originalidade.

Entre um doce e outro, alimentamos vários gatos de rua.
Eles são parte da alma da cidade, e cuidar deles virou um dos rituais mais bonitos da viagem.


✈️ Reflexões de um brasileiro em Istambul

Istambul é exatamente o que eu esperava — e tudo o que eu não imaginava ao mesmo tempo.
Um lugar onde o antigo e o moderno convivem, onde a fé é rotina e a gentileza vem junto com o chá.

Viajar pra Istambul foi entender que o que é nosso não é o único certo — e que sair da zona de conforto é o que realmente muda a gente.

Voltei diferente. E tenho certeza de que você também vai. 💛


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