Guri da História

Racionamento da Segunda Guerra Mundial

A Segunda Guerra Mundial trouxe tristezas muito além de bombas, granadas e vidas perdidas. Pros cidadãos a história era a outra: o racionamento de comida e até roupas.

A Segunda Guerra Mundial foi de 1939 a 1945 mas o racionamento do período foi além.

O racionamento foi necessário durante a Segunda Guerra porque uma das estratégias dos alemães foi atacar navios que traziam mantimentos para a ilha como uma forma de enfraquecer os adversários – mal sabiam da garra dos britânicos. Pra ter uma ideia, alguns produtos importados eram:

Queijo: 70%
Frutas: 80%
Cereais: cerca de 70%
Carne: mais de 50%

O que o na época chamado de Ministério da Comida (Ministry of Food) fez foi fornecer cadernetas de racionamento à população. O cidadão deveria registrar a sua caderneta junto ao mercado local e assim o comerciante também poderia controlar o quanto de comida ele precisaria de fato colocar nas prateleiras. Ao ir fazer compras, o comerciante destacava ou carimbava os cupons correspondentes aos itens racionados.

As cadernetas de racionamento eram pessoais e os cupons intransferíveis.

Primeiro foi o petróleo. Sei que não se come petróleo, mas isso influenciou no dia a dia das pessoas direta e indiretamente. Seja pra usar o próprio carro ou então nos veículos que faziam transporte de alimentos e mantimentos. Depois foi a vez de bacon, manteiga e açúcar, em 1940, ainda logo no começo da guerra. E a lista foi só aumentando: carne, chá, geleia, biscoitos, cereais matinais, queijo, ovos, banha, leite e frutas secas eram alguns dos principais itens racionados.

O governo encorajou as pessoas a plantarem seus próprios alimentos. Era uma forma de alimentar melhor a família ou até mesmo deixar mais comida pra quem não tinha condição de plantar. Alguns itens sumiram por completo dos mercados, como várias frutas. Crianças de cinco ou seis anos às vezes não conheciam nem seus pais, por estarem envolvidos com a guerra, quem dirá saber o que era uma banana.

Em 1942 uma lei proibia restaurantes de servir jantares com mais de três pratos, e limitando o número de pratos com carne para apenas um. O peixe não foi racionado mas o preço inflacionou demais, com permissão do governo, já que os pescadores estavam arriscando a vida no mar pra colocar comida na mesa da população. Na época, 30% do peixe era importado.

Mas afinal, quanto as pessoas podiam comprar durante o racionamento da Segunda Guerra?

Os números abaixo representam a quantia permitida no pior e mais restrito período do racionamento. O número entre parênteses foi a quantia permitida nos momentos mais “liberais” do racionamento.

Bacon e presunto: 113g (227g) por semana
Açúcar: 227g (454g) por semana
Chá: 57g (113g) por semana.
Carne: não era por peso, mas por preço. Era o equivalente a cerca de £ 2 por semana (hoje suficiente pra comprar uma bandeja de peito de frango – por semana)
Queijo: 28g (227g) (vegetarianos 113g) por semana
Geleia ou frutas secas: 227g por mês (450g por mês)
Manteiga: 57g (227g) por semana
Margarina: 113g (340g) por semana.
Banha: 57g (85g) por semana
Doces: 227g por mês (454g/mês)

 

Racionamento de roupas

Além de comidas, roupas também foram racionadas a partir de 1941. No início, não haviam cupons específicos para roupas, então eram utilizados os cupons de margarina. No início, a pessoas tinham acesso a 66 pontos (ou cupons) por ano. No final da guerra, em 1945, cada pessoa tinha acesso a apenas 24 pontos.

 

Para ter uma ideia de como era a situação, para comprar um casaco de lã, mais pesado, eram necessários 18 pontos. Ou seja, se fosse em 1945, restaria apenas seis pontos pro resto do ano.

Um terno era necessário entre 26 e 29 pontos; um sapato entre 7 (mulheres) e 9 (homens); e crianças de 14 a 16 anos ganhavam 20 pontos adicionais.




Apesar de a Segunda Guerra ter terminado em 1945, o racionamento de roupa seguiu até 1949 e o de comida foi sendo finalizado aos poucos, um item por vez, terminando por completo em 1954. Sabia que a rainha (na época Princesa Elizabeth) casou no meio do racionamento com o Príncipe Phillip? Quer saber o que aconteceu? Clique aqui.

Imagina só… E a gente reclama com o tanto de acesso que se tem a itens e informações hoje. Às vezes até, diria eu, sem ter a mínima ideia de que isso acontecia e que tempos difíceis eles foram. Não quero de forma alguma dizer que temos que racionar roupa e comida hoje, em honra daqueles que fizeram o mesmo na década 40. Não. Mas sim reclamar mesmo e agradecer mais por qualquer coisa, por menor que seja e mais insignificante que pareça.

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