Escócia,  Guri no Reino

Guri em Stirling, Escócia

Vem de carona comigo pra conhecer Stirling, uma das cidades mais históricas da Escócia. Stirling é uma opção pra quem quer fazer um bate e volta partindo de Edimburgo. 🙂

Ir pra Stirling de trem não é só fácil mas também um deleite. O caminho de trem pelo interior da Escócia é de menos de uma hora e tem paisagens pintadas de verde com manchas brancas de geada. Não é que sempre tenha geada mas estou deduzindo que, como eu, tu também vá pela manhã. Então há chances de pegar tudo branquinho mesmo, afinal o frio predomina em boa parte do ano.

Não te preocupa porque o frio não vai te congelar e atrapalhar tua viagem, prometo. Até porque as distâncias em Stirling são pequenas, então saindo da estação de trem pra ir até o Castelo a caminhada é curta e o corpo logo se aquece.

Afinal, lá em 1490 quando essa construção começou, não existiam aquecedores modernos e que esquentam rápido, então a própria estrutura do castelo já retém o calor e convida pra que fique mais tempo ainda ouvindo as histórias que aquelas paredes têm pra contar.

Não é difícil imaginar a vida na corte, hoje ilustrada por atrizes que passam pra lá e pra cá vestidas com as roupas da época e até contando algumas histórias sobre o período. Vi elas bordando, contando histórias pras crianças e se colocando à disposição caso eu tivesse alguma dúvida também. Quase perguntei o que eu teria que fazer pra usar uma roupa massa daquela e também desfilar pra lá e pra cá contando histórias. Aí lembrei que meio que já faço isso.

Somado a estas pessoas, tem também as restaurações feitas em várias partes do castelo que dão vida à história adormecida de um tempo atrás. As cores do teto, lareiras e leões vermelhos vibram e atiçam a curiosidade. Os bonecos espalhados pelo lugar não assustam quem vai em busca de entender como funcionavam as cozinhas num período onde recursos e utensílios eram escassos, mesmo em casas reais.

As histórias são ilustradas e contadas nos painéis, no áudio-guia (em inglês) e nas marcas de um tempo onde a religião ditava o poder, onde famílias se uniam ou se despedaçavam dependendo dos interesses. Interesse este que podia ser de um membro ou do coletivo. Ver reflexos da época na época moderna é inevitável.

A visita é paga, mas minha dica principal é: o Scotland Pass dá direito a visita 70 atrações por cerca de £ 30. “Mas Rafa, eu não quero visitar tudo isso!”. Eu sei, mas se pretendes visitar também o Castelo de Edimburgo, só o ticket dele e do de Stirling já chegam nas £ 30, então só isso já é vantagem.

O pub

Ao fim da tarde, antes de voltar pra Edimburgo parei num pub pub de Stirling pra esperar chegar a hora do trem. Essa ao menos foi a desculpa que eu achei. Busquei no Google o “pub mais antigo de Stirling” e lá estava: The Settle Inn, de 1733 (91 St Mary’s Wynd, Stirling FK8 1BU) Ao entrar, o cheiro que dominava o ambiente era o de madeira queimando misturado com o de cerveja derramada. Balcão de madeira ao lado direito com algumas oito opções, mesas do lado esquerdo parecendo uma pintura de tempos antigos. Lareira acesa, quadros na parede, um senhor lendo seu livro enquanto um cachorro repousava a cabeça no meio das patas em seus pés. Na mesa do outro lado da lareira alguns papéis, calculadora e a atendente que prontamente deixou tudo pra trás pra me atender.

O calor do ambiente foi como um abraço depois da caminhada de cinco minutos do castelo até ali. Pela frente ainda tinha alguns minutos no frio, o que fazia do pub ainda mais convidativo.

Perguntei pra atendente qual cerveja me recomendava, de preferência uma local. Ela, não satisfeita em me dizer o nome, me fez experimentar três diferentes e, enquanto eu experimentava, ela analisava minha expressão. Como alguém que tenta cozinhar algo novo e espera boas reações dos convidados.

A anfitriã tirou a papelada de cima da mesa pra que eu pudesse ocupar aquela mesa, a mais próxima da lareira. Vendo minha reação ao frio e especialmente o sotaque, perguntou de onde eu era. Ao dizer que era do Sul do Brasil, um sorriso no rosto e quase uma identificação. O escocês é receptivo, gosta de conversar e tem a cabeça mais aberta do que muita gente imagina.

Fast forward pra três horas depois

Ainda estou na mesa do pub, agora rodeado por alguns amigos da dona do pub. Um me paga uma cerveja, bebe a dele rapidamente (escocês né…) e vai embora. Nem tenho a oportunidade de retribuir o gesto.

Logo chega uma família amiga da dona/atendente. A filha está comemorando aniversário de não me lembro quantos anos. Não me lembro de algumas coisas – não sou escocês né. Me lembro que estava junto os pais e a avó dela, que mal conseguia se apoiar na bengala mas acompanhava o resto da família pau a pau na cerveja.

Conversas indo e vindo, mas finalmente me botei no ar gelado de Stirling. Por que demorei tanto pra voltar? Agora está mais frio! Tudo bem, estava aberto à experiência e foi ótimo! Uma lição e um aprendizado que carrego até hoje. Se permitir em viagens. Não se colocar tempo, limites ou julgamentos. Não sou uma bomba prestes a explodir, não preciso me colocar tempo pra tudo.

Com certeza lá em 1490 o dia a dia também era assim, sem pressa.

Me conta aqui o que achou de Stirling, beleza?

Se tu não viu os outros posts que fiz sobre a Escócia tem um sobre Edimburgo aqui e outro sobre as Highlands aqui. Espero que goste! 😉

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