Guri no Mundo,  Marrocos

Guri no Marrocos: Marrakesh

Caso não tenha o feito, te recomendo ver o vídeo/ler primeiro o primeiro post desta viagem, sobre Rabat e Casablanca.

Pois bem, eu havia terminado o post da primeira parte da viagem dizendo que o trem até Marrakesh foi uma aventura né? Pois bem…

Lá estava o Rafael na estação de Casablanca impressionado como um país como o Marrocos podia ter uma malha ferroviária tão eficiente e tudo mais. Eis que o trem atrasa 15 minutos (OK pros nosso padrões, vai…) e o trem… Meus amigos, o trem… Nem se compara com o da primeira parte da viagem, todo moderno, cnfortável, até com ar condicionado. Não. O deste trecho era exatamente o oposto disso. Ele estava vindo de algum lugar, que eu ainda acredito que era da Feiolândia ou do inferno. Assim, tive que ir de pé no fundo de um vagão. Mas claro que não era só eu, era eu e mais uns dez. Com uma mochila no chão, a outra em cima dela, câmera a punho, lá fomos nós rumo a Marrakesh. Com o vagão de porta aberta, alguns passageiros sentados na porta do vagão e de-lhe falar árabe.

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Lá pelas tantas um senhor entra no vagão e fala comigo em árabe. Eu respondi em inglês que não falava a língua dele. Ele me pediu licença em inglês, pra poder colocar a mala dele ao lado da minha mochila. OK, vai lá tio! Ele colocou a mala dele e minhas mochilas sob ela. Alguns até ficavam me olhando meio de canto por eu estar fotografando e filmando, mas claro, sem falar nada. Eles são muito queridos e educados os marroquinos, importante registrar isso.

Este trecho de trem foi de 3h30, mas cerca de meia hora depois que o tiozão da mala entrou no trem lá estava eu filmando a paisagem quando ele me larga um “YOU! COME WITH ME!” pegando a mala dele e uma das minhas mochilas e indo pra parte do trem onde estavam os compartimentos. Obedeci e ele me levou pra um dos compartimentos que estava com três dos oito acentos vagos. Também colocou minha mochila no compartimento de bagagens (num lugar que eu nem alcançaria por motivo de altura). E me ordenou “SIT DOWN”. Quase larguei um SIR YES SIR SORRY SIR.

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Seguimos o restante da viagem em silêncio. Eu na verdade, porque eles começaram a interagir um com o outro, sendo que recém haviam se conhecido. Era árabe pra lá, árabe pra cá, e eu no meu canto sem entender nada. Até que precisava ir no banheiro. Fui, deixei minhas duas mochilas, rezando pra que tudo estivesse no lugar quando voltasse. Tudo estava no lugar quando voltei. Mas não posso deixar passar em branco o banheiro… Pra começar não tinha como fechar a porta direito. O vaso estava lá. Mas logo abaixo dele não tinha cano nenhum. Tipo pra quê? Já vai ficando tudo pelo caminho, poupa trabalho depois né? Ah, a pia não funcionava. (y)

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Quando voltei pro meu assento (e depois de conferir se minhas coisas ainda estavam lá, e tavam, ralaxa…) parei pra analizar a situação: eu, no meio de sabe-Deus-onde, com sete pessoas ao meu redor falando árabe. Sim pai, eu fiz isso. E passou mais uns minutos, as pessoas puxaram papo comigo. Na realidade o tio que havia me ajudado (que sem surpresa nenhuma o nome dele era Mohammed). Perguntou de onde eu era, achou que eu era inglês, mas claro que não pela cara mas sim porque minha mochila é do Chelsea. Pois bem, conversa foi e conversa veio e ele acabou me dando dicas de como chegar ao meu hotel, disse que seria bem fácil, que se precisasse era pra eu ligar pra ele e até me adicionou no Facebook (da próxima vez vou ficar na casa da mãe dele). Agradeci demais pela ajuda e ele só largou um “no problems. We are all brothers”. #aplausos

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Bom, agora tirando o holofote do trem, chegamos então em Marrakesh e fui da estação ao hostel a pé mesmo, debaixo de sol e com sorvete na mão. Quando estava quase chegando onde achava ser o hostel, e depois de mudar minha rota umas três vezes, aconteceu comigo o que tanto li a respeito.

Quando estava entrando numa ruela bem estreita (que no Marrocos é apenas mais uma rua normal) com minhas duas mochilas e minha cara de perdido estampada, um guri de uns 17/18 anos notou tudo isso e gritou “Marrakesh Rouge” e eu concordei. Afinal já havia me perdido três vezes. Ele sabia de algo que eu não sabia (onde estava meu hostel, só pra deixar claro). Eu sabia que teria que pagar algo pra ele, afinal de contas foi isso que havia lido sobre o Marrocos: as pessoas não dão informação de graça. Chegando na porta do hostel ele não hesitou em me cobrar os $ 200 pelo “serviço”. Eu disse que era caro, tentei argumentar, mas não rolou. Acabei pagando pois pra mim era algo como £ 14. Considerei como uma doação e parei de pensar naquilo porque não queria estragar minha viagem com isso.

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No hostel a receptividade foi enorme! Me receberam com um chá de menta e um pedaço de bolo, o gerente me deu 50 mil explicações sobre a cidade e outro funcionário me encaminhou pro quarto. Ele não tinha porta, mas era uma coisa completamente OK… Ficava numa parte mais afastada e o hostel era naquele estilo de casas antigas que é normal no Marrocos, então a porta que tinha era só simbólica mesmo.

Nesta noite acabei comendo outro prato famoso da cozinha marroquina: o cuscuz. Estava um pouco frio, mas acho que é normal pro prato. O que também vi que era normal é servirem sempre azeitonas e pão como uma entradinha.

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No dia seguinte saí pra caminhar pela medina de Marrakesh e quando me dei conta estava em frente ao museu da cidade. Não acho que valha a pena, na realidade. Gostei muito mais de visitar a Escola Corânica Ben Youssef. O prédio do local é lindo. Cada destalhe naquilo que é de babar. É possível visitar os dormitórios e vários espaços e cada um tem um estilo arquitetônico que chama atenção. Não tem muitas expliações, é basicamente apenas o prédio, mas realmente muito bonito e pra mim valeu mais a pena que o museu, além de ser mais barato ($ 20).

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Segui passeando pela medina info até o Mercado de Especiarias. Ele não é muito grande e é realmente muito bacana. São cores e cheiros de todos os tipos (bons e ruins, diga-se de passagem). Todos os vendedores são amigáveis e dispostos a fotografar. E claro, insistentes, mas enfim… Um deles acabou me mostrando vários tipos de ervas e chás que ele possuia, me ofereceu um chá que eu realmente gostei e acabei pedindo pra comprar um pacote. O preço original era de $ 130. Eu disse que não queria tudo aquilo mas ao invés de tirar, ele apenas baixou o preço. Pra $ 80. Depois de muito insistir pra ele tirar meio pacote ele acabou baixando pra $ 70 quando eu falei que era Brasileiro. Sim, estamos quebrados amigo.

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Dali fui à famosa praça Jemaa el-Fna. O que tem lá? Muita coisa. Muita gente, muita gente comprando e vendendo, barracas de sucos e locais pra comer (como se fossem restaurantes improvisados mesmo) e além disso: lutinhas de boxe, danças, mágica e macacos que davam piruetas. Agora aqui fica outro alerta: se for tirar foto com o macaco, ou dele, vai ter que pagar. A mesma coisa vale pros encantadores de serpentes, já sabe. E vi várias discussões porque as pessoas fotografavam e não pagavam. Eu não fiz nem questão de fotografar o pobre do animal. O dono, eu me refiro. O macaco estava tão infeliz naquela posição (por que será?) que eles se dependuravam na corrente tentando se soltar.

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De volta à praça Jamaa el-Fna, tem um café que tem um terraço bem grande e fica bem em frente à praça. Um ótimo ponto pra fotografar. Mas não é só chegar, subir, fotografar e sair feliz da vida. Tem que consumir alguma coisa. E pra garantir que tu vai consumir já na entrada é onde tu faz o pedido. Não pede nada? Não entra. A água lá custa $ 10 (cinco vezes o preço normal).

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No dia seguinte foi ao palácio El-Baldi ($ 10). É muito bonito mas como são as ruínas do palácio que lá exisita, não tem sombra nenhuma e acho que já deu pra entender que o calor meio que me enche o saco né? Passei também por uma mesquita que é a maior de Marrakesh, mas nem se compara àquela de Casablanca (e não dá pra entrar nesta).

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Ao tentar achar o tal Palais Royale acabei pedindo ajuda pra um morador que adivinha? Me deu informação e pediu dinheiro. Quando disse que não tinha nada ele insistiu e acabei dando $ 15. Ele disse que aquilo não era nada. Lembrei do que já tinha rolado em Rabat e bati o pé, disse que não tinha mais nada. Ele agradeceu, deu um aperto de mão e foi embora. Eu hein!

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Entrei também nas Saadian Tombs, mas a finalidade é a mesma do que muitos dos locais que havia visitado: reparar na beleza arquitetônica e ponto final. Algo que 15 minutos resolvam (nesta atração eu diria que até menos).

Dali fui à medina pra dar uma olhada se gostaria de comprar alguma coisa. Não tinha nada que eu realmente quisesse, mas acabei avistando uns relógios e pensei UÉ! POR QUE NÃO!? Lá fui eu. O preço dele era $ 650. Eu disse que meu orçamento era R$ 250, que eu queria ver algo dentro deste valor. Ele continuou insistindo no primeiro relógio e baixando o preço dele. Resumindo cinco minutos de explica/insiste/agradece ele acabou baixando as $ 400 e me vendendo o tal relógio por $ 250. Ele parou de funcionar no dia seguinte e quem disse que eu consegui achar a tendinha de novo!? Ainda hoje ele para sempre às 9h.

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Fui fotografar o pôr do sol na pracinha central, aquela de nome estranho, e ao me ver com a câmera na mão um daqueles tios que servem água, de chapéu e roupa coloridos, ficava fazendo pose e sinal pra eu fazer foto dele. Eu agradeci umas trocentas vezes porque 1) já tinha fotografado um daqueles tios em Casablanca e 2) sabia que ele queria só faturar uns dinheiros. Da sacada do cafpe que citei antes eu vi que ele tinha cobrado um outro casal, pedido mais, o cara pagou mais, e ele ainda queria mais, até  que o cara negou e foi embora.

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Ao voltar pro hostel naquela noite conheci uma mulher de Leicester e ficamos conversando um tempão (esses ingleses são tão frios que olha…). Ela me contou que iria pro deserto na noite seguinte e ficaria lá por duas noites (uma num hotel e outra acampando) por cerca de $ 250! Até duas horas de camelo estava incluso no pacote. Eu fiquei babando e coloquei na minha lista de desejos pra quando for visitar o Marrocos de novo.

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No dia seguinte eu não tinha muita programação definida, então acabei caminhando pela medina e comprando uma luminária por $ 90 (o preço original era $ 165). Fui visitar uns jardins que ficava mais ao sul da cidade e só pra não perder o costume preciso dar uma resmungada sobre o calor. grrrrmrrrr afffff Deu.

Depois de comer voltei ao hostel pra fotografar o pôr do sol no terraço.

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Preciso contar que dividi quarto com três americanos naquela noite, eles me disseram que eram de Nova York, eu perguntei se eles gostavam de lá e um deles só respondeu um “of course we like it”. Como se não houvesse opção de não gostar. Eu hein!

No dia seguinte tinha que levantar por volta de 8h pra pegar meu voo mas o tiozinho que uiva na mesquita fez o favor de me acordar. Dizem que a Rainha tem o tocador de gaita escocesa oficial dela né? Pois no Marrocos todos temos um uivador oficial também. Peguei o táxi pro aeroporto (de $ 150 por $ 130).

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Gostei muito de ter conhecido o Marrocos e de todas as experiências que vivi por lá. Ainda quero voltar, mas pra da próxima vez ir pro deserto, dormir lá, acampar lá, etc e tal. Como falei no primeiro vídeo, achei o Marrocos muito parecido com o Brasil em muito aspectos, seja a questão de fazer as coisas de qualquer jeito; ou a questão da alegria e da hospitalidade. Não posso reclamar de nada que tenha passado lá – com exceção do relógio que não é tão very good quality assim.

E você já foi ao Marrocos? Tem vontade de ir? Me conta ali nos comentários o que achou do país e/ou deste post, beleza? 😉

* Clique aqui pra ler o post anterior, sobre Rabat e Casablanca.

* Rafa Maciel viajou ao Marrocos ao convite dele mesmo.

Rafa, um Guri em Londres. Moro em Londres desde janeiro de 2014, sou guia de passeios temáticos a pé pra brasileiros e gosto de compartilhar como é a vida por aqui, além de contar mais sobre a história e cultura do Reino Unido. Sinta-se em casa!

8 Comments

  • Safya

    oi Rafa,fiquei curiosa assisti o video em rabat e casa blanca,achei cidades bem sujas marrakech não me pareceu tanto,estou certa?Estou pensando em ir!!!e transporte em Marrakech tem bastante opções para se locomover dentro da cidade?

    • Rafa

      Olá Safya, beleza?
      Elas são um pouco sujas sim, mas na real a sujeira que a gente está acostumado no Brasil, sabe? Aquela falta de cuidado, na real. Rabat é a mais limpa delas, mas Marrakesh também é organizadinha. =) Vale muito a pena ir sim.
      Eu não cheguei a pegar nenhum transporte dentro da cidade, acabei sempre indo a pé a todos os lugares (é bem fácil e tranquilo de caminhar, mesmo à noite) e para locais mais longe acho que o mais recomendado é o táxi mesmo. Negociando o valor antes de pegar o táxi claro, porque já viu né… hehe
      Não recomendaria o transporte público da cidade por ser bem precário.
      Boa viagem! =) xx

  • Rejane

    Oiiiii guri!!!!
    Vc me deu super dicas para Londres pelo seus videos… e agora eu preste a embarcar em um bate e volta a Marraquexe, procurando videos… vc aparece pra me salvar novamente!!!!
    Vamos as perguntas, vc visitou pubs ou algo semelhante em Marraquexe? Ouvi dizer que os banheiros publicos nao sao aconselhaveis, e com relacao aos banheiros nos hoteis/hostels?
    Abracos e parabens pelo excelente trabalho!!!!

    • Rafa

      Oi Rejane!
      Que massa, fico tão feliz em saber que consigo contribuir positivamente nas viagens. 🙂
      Em Marrakesh não cheguei a sair não, ficava só no hostel mesmo à noite. Não lembro de ter visto lugares assim, mas tenho certeza que tem.
      Os banheiros do hostel eu lembro que eram tri de boa, hotéis que havia ficado em outra cidade também curti muito. Realmente não usei banheiro público.
      Tenho certeza que vai curtir muito a cidade. 😀
      Abração e boa viagem. Obrigado!

  • Paula

    Sempre que possível vejo vídeos de brasileiros que já visitaram o Marrocos… e sem dúvidas os seus foram hilários…rir muito com sua maneira de vê muitas coisas. Estou de viagem marcada para lá em Outubro deste ano e espero me divertir muito…só torço para não ter tantas buzinas…kkk odeio e o sol…só de você comentar ja sentir calor…affs kkkk
    Parabéns adorei o vídeo

    • Rafa

      aeee que demais Paula, fico feliz, obrigado pelo comentário. Espero que curta muito o país – tenho certeza que vai gostar.
      Abraço!

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