GURI IN LONDON

Crônica: Os dois lados do ser humano

Uma história clichê que eu acho bem massa é aquela de que tudo na vida tem dois lados, sabe? Tudo tem dois pontos, tudo tem um contra-ponto. Lindo até aí. Mas eu gosto de pensar mais além.

O que é mais tri de pensar é sobre o ser humano, que também tem dois lados. Não digo o frente/trás ou o esquerda/direita – nem o coxinha/petralha. Eu digo o dentro e fora.

A gente se conhece por fora, você talvez me conheça por fora, se me ver na rua vai me reconhecer, assim como reconheceria muitas outras pessoas. Mas por dentro você não me conhece e eu não te conheço. Desta maneira tão além, tão exposta a gente não conhece um ao outro, e d’esta maneira, por algum motivo, a gente prefere realmente cuidar mais. Até porque por muitas vezes nem a gente conhece tanto assim o nosso lado de dentro, vai saber o que vai ser exposto, né? Tem gente que não liga, tem gente que simplesmente mostra o lado de dentro sem dó nem piedade, sem nem conhecer direito ou respeitar o que tem lá dentro.

Eu quero me conhecer mais, sem nenhum medo, sem nenhuma barreira, enfrentando o meu Eu, afinal aquele sou Eu mesmo, de verdade. Por que ter medo de mim mesmo? O meu Eu verdadeiro não é apenas meu nome, o que faço, como me porto, minha história de vida, etc. Mas de onde nascem meus sentimentos e pensamentos (afinal a mente não cria eles do nada); porque ajo de tal maneira; o que me leva a tomar tal decisão?

A gente é criado em um mundo onde isso parece não ser tão importante assim. Onde uma ferida é mais importante de ser curada do que um problema mental; onde a saúde física é mais importante que a saúde mental; onde o sintoma recebe mais carinho e atenção do que a causa, que muitas vezes resiste, já que não recebe atenção alguma. Isso tudo pelo simples fato de que uma coisa pode ser vista e outra não. Uma é externa e outra é interna.

Acho que isso talvez explique aquele amigo que sorri bastante. Nas fotos do Facebook. Apenas pra tirar a foto é que o sorriso aparece. Todo mundo tem este amigo e me chama atenção as pessoas que fazem isso: todo mundo se ajeita pra foto, o sorriso aparece, o abraço acontece, mas depois do clique, tudo é passado. A cara fecha e o abraço desmancha. Como se nem um nem outro tivessem existido nem por um momento. Afinal, será que o sorriso e o abraço existem mesmo ou só foram externados?


Fiz neste final de semana um curso de Reiki e num momento o mestre falou um negócio seguido de um exercício que me fez começar a pensar: afinal de contas, o que sou eu? O que é você? Por mais filosófico que soe a pergunta, a resposta que eu busco com esta pergunta é mesmo o mais simples: onde eu começo, onde a minha personalidade é criada?

Certamente não quando eu era um espermatozoide. Imagino eu. Uns não querem matar os outros, querem? Só querem chegar primeiro naquela corrida pra fecundar o óvulo, certo? Seria então em algum momento dentro do óvulo (afinal aí teria o fator da mãe envolvido na criação desta persona/alma/como quiser chamar)? Seria no momento do nascimento, afinal assim que a gente aprendeu a celebrar a vida, no dia que a gente nasce?

Não sei, mas com certeza isso vai ser assunto na próxima vez que tiver com uma pint na mão em algum pub com meus amigos. Respostas e pensamentos são bem-vindos nos comentários.

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