GURI IN LONDON

Guri dá dicas de como viajar gastando pouco

Olá!
Fazia um tempinho que tava com este assunto anotado. Desde que fiz algumas viagens quase uma atrás da outra (Escócia e depois Marrocos). Sim, porque todo mundo acha que eu enriqueci só porque fiz estas duas viagens.

Mas a grande verdade é que tenho uns macetes ainda da época em que fui agente de viagens (sim, por quatro anos, quando morava no Brasil) de como economizar na tua viagem. Seja ainda no planejamento ou já no destino, e ainda assim aproveitar bastante – o ponto principal, claro! Não tem desculpa de que tu não mora na Europa. Eu mesmo sou de São Francisco de Paula, na Serra Gaúcha, e não conheço os cânions de Cambará do Sul (já ouviu falar? Já conhece?). Ou seja, sejamos um pouquinho menos relaxados e vamos programar uma aventura nem que seja dentro do próprio Estado?

 

Vou contar abaixo como eu planejo as minhas viagens, mas fica à vontade pra dizer como tu planeja a tua. Cada um faz de um jeito e assim a gente ajuda um ao outro a viajar, que tal? Chega de enrolar e vamos às dicas:

Agora espera que tem mais! Vamos desdobrar um pouco mais sobre cada passo:

1. O ORÇAMENTO
OK, vamos começar pelo começo. Não adianta né, o orçamento é a parte mais importante do planejamento porque ele que vai ditar os próximos passos do processo. Mas não adianta dizer “pequeno” ou “baixo”. Tem que ter um número e trabalhar dentro dele. Inclua neste número o gasto total com passagens aéreas, hospedagem, tickets, alimentação, despesas extras e eventuais documentos que precise providenciar.

 

Pois bem, antes de mais nada vamos definir um destino então. No orçamento pensado vamos dizer que eu possa ir pra Itália (porque é barato e não porque sou ryko). Se eu morasse no Brasil será que morando em Porto Alegre poderia ir até o nordeste, ao Rio, a Curitiba/interior do Paraná ou algo dentro do Rio Grande do Sul mesmo? Depende do orçamento.

 

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2. PASSAGENS AÉREAS
O assunto mais cabeludo de todos. Mas prometo que vou colocar em prática todo o conhecimento que adquiri nas agências que trabalhei pra deixar isso o mais claro possível pra ti.

 

Pra fazer pesquisa de passagens aéreas eu recomendo o Skyscanner. Nada de Decolar, tá? (#espantandoanunciantes) A vantagem do Skyscanner é que ele faz a pesquisa pra ti mas tu compra direto da companhia aérea. Ou seja, eles não são agentes de viagens, apenas uma ferramenta de busca de preços. Um Google só de passagens aéreas.

 

Agora uma ótima dica:
Se você tem flexibilidade pra viajar em qualquer data ou em um determinado mês, dá pra informar isso pro Skyscanner e ele busca o mês mais barato, e de quebra organiza isso num calendário pra você poder visualizar o mês todo de uma só vez. Para de ler aqui mesmo, vai lá no site. Coloca a origem e o destino. Clica no campo da data e observe que bem embaixo do quadrado do calendário tem “Mês inteiro”. Clicando nele vai aparecer a opção “Mês mais barato”. Pronto. Agora ele vai buscar todas as datas disponíveis de ida e volta pra ti.

 

Outra coisa: se você não sabe pra onde ir ou é daqueles viajantes “vou pro lugar mais barato” apenas informe isto pro Skyscanner: clique no campo de destino e ele já vai te sugerir pra ir pra qualquer lugar. Se não aparecer é só digitar “Qualquer lugar”. Pronto.
Fiz uma simulação e pesquisei Porto Alegre – Brasília. Acabei encontrando passagens a R$ 350 ida e volta, acredita? =] #quemprocuraacha
Tá Rafa, mas se o trecho é o mesmo, porque o preço muda dependendo do dia?
Na realidade não muda dependendo do dia, mas sim dependendo do voo e de quão lotado ele está. Isto não é a companhia que faz manualmente, mas a regra a disposição foi inventada por eles. Funciona assim:

 

Dentro de um avião as poltronas são divididas por classes. Mas não falo de econômica, executiva e aquela-que-nunca-alcançarás. Me refiro a classes tarifárias. Imagine o seguinte: vamos pegar todos os assentos da classe econômica e dividir em lotes de, por exemplo, 15 assentos. Vamos neste exemplo fazer de conta que a classe W é a mais barata. Então as 15 primeiras pessoas gostam de pagar barato e vão querer comprar a passagem por (exemplo) R$ 120, que seria o preço da classe W. Agora, a 16ª pessoa vai reservar e vai pagar um pouco a mais, R$ 150 por exemplo, na classe X. Isso porque o primeiro lote de assentos já se esgotou, já estão todos vendidos. E assim vai indo, conforme os assentos vão sendo vendidos, maior vai sendo a classe (que não significa nada além do valor e regras de remarcação – não interfere na localização do assento dentro da aeronave).

 

Então por isso que às vezes você consulta a passagem, ela está custando determinado valor, e horas depois vai ver de novo e o preço está o dobro. Isso é porque algum viajante (como diria o Estevam) já foi lá e reservou aquelas poltroninhas baratinhas antes de ti. Sentiu o drama né? Quanto antes reservar melhor. E mais barato. E mais grana vai sobrar pro resto do planejamento da viagem.

 

Sempre procure comprar as passagens enquanto planeja o roteiro, assim evita voltas desnecessárias. Por exemplo se está visitando Londres, Paris e Amsterdam não tem necessidade de voltar pra Londres pra daí sim voltar pro Brasil. Já te programa pra sair do teu último destino (no exemplo, Amsterdam). Vai te economizar muito tempo e muito dinheiro (já explico melhor o motivo).

 

3. CUSTOS LOCAIS
O segundo custo que eu calculo é o local. Então eu vejo alguns pontos importantes pra planejar os custos. Seriam eles:

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A. Hospedagem
Claro, dormir debaixo da ponte não dá. No meu modo de viajante um hostel está ótimo, mas pra ti pode ser que o ideal seja um hotel 4 estrelas, ou um 5 estrelas, ou um Airbnb. Cada um tem um estilo e é importante levar em consideração isso ao buscar hospedagem. Minha linha de pensamento é sempre um hostel de médio pra bom numa área bem localizada, do que serviço 100% mas numa localização ruim. Falando de hotéis, sou dos hotéis 3 estrelas mais centrais do que 4 estrelas mais afastados. Isso porque assim tenho a garantia que vou economizar tempo e dinheiro em deslocamento. Dublin e Edimburgo são ótimos exemplos, porque não usei o transporte público em nenhum momento. Em Dublin só pra ir até o aeroporto. Só.

 

Prefiro gastar mais grana em um passeio a mais, ou até um dia a mais na cidade, do que um luxo que na minha opinião é desnecessário. Sempre dou uma lida nas avaliações de quem já ficou no lugar. Mas atenção: não dá pra se prender a um que outro comentário ruim. Sempre tem alguma situação anormal de vez em quando, ou alguém que gosta de reclamar. Se tem 20 pessoas elogiando o café da manhã e uma falando mal, não tem nada de errado com o café da manhã mas sim com esta uma pessoa. Não é nem opinião minha, é fato. #estudoscomprovam

 

Pra pesquisa e reserva de hospedagem eu recomendo o Trivago e Booking pra hotel; Hostelworld pra hostels; além claro do Airbnb. Mas não deixa de consultar com tua agência também, porque às vezes pelo volume de reservas eles conseguem preços ótimos também! 🙂

 

B. Alimentação
Era sempre um dilema pra mim saber quanto iria gastar em alimentação por dia. Aí comecei a pesquisar restaurantes na cidade em questão no TripAdvisor e ver os preços nos menus deles. Nada de granfinagem claro, sempre via umas duas ou três opções só pra ver a média de preços pra poder colocar um custo aproximado. Eu uso esta base de cálculo mas não me prendo a ela. Sempre adiciono uns 20% sob o valor que eu descobri. Não dá pra economizar em comida, ainda mais durante uma viagem, né?

 

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C. Despesas extras
Procuro dar uma olhada por cima em gastos com ingressos que eu saiba que vou querer, ou se for o caso os bilhetes de transporte, transfer, etc.

 

D. Superfaturamento
Agora tendo todos estes números na mão eu faço uma média diária de gasto e ainda coloco uns 10% ou 15% em cima de gastos extras do tipo lanches, táxi, gorjetas, etc. Aí sim tenho o custo diário da viagem e vejo se está dentro do que eu estava esperando. Se tudo está dentro do orçamento e ainda tenho uma sobra eu até cogito colocar alguma outra cidade no percurso, ou ficar algum dia a mais em algum lugar. Se tenho a disponibilidade de datas eu gosto de fazer isso porque já que estou na estrada aproveito e conheço mais de um lugar.

 

Mas veja bem: eu conheço mais de um lugar e não apenas passo por ele. Por favor não seja louco de querer fazer 4 capitais em 8 dias na Europa. Se quiser conhecer mesmo, o Google tá aí pra isso, pra ver quanto tempo é ideal ficar em alguma cidade.
Pois bem, se está bem assim, é hora de…

 

4. COMPRAS
É hora de comprar! A viagem vai sair. O primeiro passo, como já falei antes, é a compra das passagens aéreas. Assim é garantido que ninguém vai pegar o meu lugar baratinho no avião. Depois disso dou mais uma olhada pra ver se consigo alguma opção melhor de hospedagem pelo mesmo preço. Ou seja, pesquiso com um pouco mais de carinho. Se preciso fazer algum deslocamento interno eu também já compro aquele trecho de trem ou ônibus também, assim como qualquer ingresso que seja vantagem comprar antecipadamente (seja economizar na fila ou no bolso).

 

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5. ROTEIRO
Definir o roteiro já é uma aventura em si pra mim. Acho bacana planejar cada dia e o que quero fazer, mas eu não me prendo a isso também. Da primeira vez que vim pra Londres, a turismo, eu me perdia de propósito pra poder conhecer mais as ruas e bairros, e aquilo me ajudou a aprender as ruas e bairros. Muitas ruas do centro conheço até por nome por isso.

 

A primeira coisa que faço então é levantar pontos de interesse. Eu consulto um guia de viagem (a Lonely Planet tem vários guias impressos e online!) e principalmente nosso querido e amado TripAdvisor (por falar nele, eu tô lá também!). Se você pesquisar pela cidade, e em coisas pra fazer nela, vai aparecer as atrações preferidas de pessoas que já foram pra lá. Assim, por exemplo, que descobri o Arthur’s Seat em Edimburgo e o Whiskey Experience em Dublin. Até mesmo se você está em dúvida em quanto tempo precisa pra conhecer alguma atração, ou se realmente subir no Sky Garden vale a pena, com certeza alguém já fez isso e escreveu lá no Trip Advisor pra te ajudar no planejamento.
É bom pra colocar o teu inglês em prática também.

 

Definidos os pontos de interesse eu uso o Google Maps pra pesquisar onde eles ficam e assim poder fazer meu planejamento por áreas. Isso vai fazer com que eu explore uma região por dia e não perca assim tanto tempo em deslocamento, dentro do transporte público.

 

Mas como falei, tudo pode mudar. Às vezes termino uma atração antes, e assim posso fazer alguma outra coisa e acabo mudando todo o roteiro; ou então pego um dia com chuva e decido visitar um museu e deixo o parque maneiro pro dia seguinte. Tudo tem que ser flexível. Na vida. #filosofei.

 

Claro que é essencial pesquisar um pouquinho sobre a história e cultura local, ou até alguns costumes que os nativos têm ou não têm. Se temos costumes diferentes dentro do Brasil, imagina em outros países! Quando faço esta pesquisa/leitura geral eu também procuro buscar um prato e uma bebida tradicional local pra experimentar. Nem que eu não vá gostar eu vou querer comer pra ter a experiência. Afinal disso que é feita uma viagem, certo? =)

 

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6. O RETORNO
Eu sempre vou anotando tudo o que faço na viagem e registrando muita coisa também pra poder voltar e te contar como foi. Então se quiser saber sobre as viagens que eu fiz, dá uma navegada no blog e viaja de carona comigo:
Inglaterra: Liverpool | Norfolk | Leeds | Nottingham | York | Sheffield
Irlanda: Dublin

 

**DICAS QUENTES DO RAFA**
Olha só, prestenção:
  • Quando eu viajo já levo toda a grana que eu pretendo gastar na viagem e assim não preciso ficar me preocupando com conversão de moeda. Eu geralmente separo quanto eu teria por dia e procuro gastar dentro daquele valor estipulado. Se eu gastar a mais não tem problema, mas sei que no dia seguinte eu teria que economizar uns pilas. Então quando eu vou tomar um café e pago £ 2.50, ele custa na verdade… £ 2.50. E não R$ 15. Porque afinal de contas o dinheiro já está trocado, o câmbio já tá feito, já era. Se eu tenho grana pra gastar dentro do meu limite diário, pra que passar vontade?
  • Sempre consulte qual a exigência de documentação (passaporte? Tem validade mínima exigida? Precisa de visto pra visitar?) e até mesmo vacinas. Alguns países, como é o caso do Peru, exigem que brasileiros viagem com vacina contra a febre amarela feita há mais de 10 dias. Outro exemplo: a Europa exige que as pessoas entrem aqui com seguro de viagem de cobertura mínima de 30 mil Euros. O Reino Unido não faz parte deste acordo de exigência, mas mesmo assim eu recomendo viajar ocm o seguro feito, porque seee por um acaso precisar usar o seguro vai te economizar algumas mil Libras.
  • Pra planejar deslocamentos internos eu recomendo o Rome2Rio. Ele pesquisa até linhas locais de ônibus no interior do interior do interior de qualquer país, tem preços e horários e te dá o site das companhias pra reservar ou consultar mais informações. Uma delícia. O Google faz algo parecido, mas o Google não inclui as rotas de linhas pequenas e rurais, por exemplo.
  • Se você planeja vir pra Londres e incluir outras cidades, não saia de Londres. Chegue aqui, mesmo a imigração blablabla, mas evite sair daqui. Isto porque a taxa do Heathrow é de cercad de R$ 800, enquanto a de Paris, por exemplo, deve girar em torno de R$ 300. Então não saindo daqui vai te dar esta economia. Ou mesmo se tu queres vir só pra Londres, avalie dar um pulo em Paris ou Bruxelas, pois assim vai pagar menos de taxa de embarque (o suficiente pra pagar por tua passagem de trem) e ainda conhecer outro lugar bacanudo.

 

Claro que sentido qualquer tipo de insegurança é só ir numa agência de viagens e dizer teu destino, orçamento e datas e pronto, já sairá de lá com um orçamento feito por especialistas que não vão (ou não deveriam, se for uma agência boa) te deixar na mão.
Agora começa a planejar tua aventura e boa viagem!

 

– Por falar em economia, há uns meses dei 20 dicas de como economizar em Londres. Vem ver.
* Todas as indicações acima são sites que eu uso. Este não é um post patrocinado.

8 comentários sobre “Guri dá dicas de como viajar gastando pouco

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