GURI IN LONDON

Guri sem bu(r)rocracia

Papel, papel, papel. Carimbo, assinatura, vai, volta, vem, vai de novo. O Brasil complica tudo às vezes. Não só o Brasil, a gente sabe que outros países são famosos (oi italianos!) por serem muito burocratizados. Afinal, pra que facilitar se dá pra complicar?
Mas tenho a sorte de morar em Londres, onde o negócio é diferente. Muito diferente. Pra que complicar se dá pra facilitar?
Vou contar uns causos que me aconteceram aqui pra tu ter uma ideia de como é (ou não é) a burocracia aqui:
[UPDATE 26/04]
Este post virou vídeo! 🙂 Pra assistir é só dar o play aí embaixo:

CARTEIRA DE HABILITAÇÃO

Apliquei e estou fazendo minha Driving Licence, a carteira de habilitação. Estou preparando um outro post só sobre este assunto, mas enquanto isso já adianto como foi o início do processo. Entrei no site do departamento de trânsito que faz a habilitação e me inscrevi. Paguei online uma taxa de £ 50 e eles me enviaram um formulário onde eu deveria preencher com informações do meu passaporte (por não ser britânico) e enviar uma foto 3,5cm x 4,5cm.
O porém é que eu iria viajar e precisar do meu passaporte e por isso só poderia enviar depois da viagem. E o prazo pra envio iria expirar em 28 dias, bem durante a viagem. Liguei pro órgão que faz o processo todo e pedi pra prorrogarem o prazo. A resposta: de 28 de setembro prorrogaram pra 15 de novembro. Tempo de sobra!

Voltei de viagem, usei o mesmo formulário, mandei tudo, e uma semana depois recebi a habilitação provisória. No dia seguinte recebi meu passaporte. Vou terminar de contar sobre o processo de habilitação no outro post.
Ir lá, pegar digital, tirar foto, assinar, pagar, voltar, fazer aula, prova, carimbar, ir, voltar depois de um ano… Nada disso. Já tenho minha provisória e posso dirigir com alguém que tenha habilitação há mais de três anos.
REGISTRO DE AUTÔNOMO
Como já contei aqui, trabalho com passeios em Londres e por este motivo estou registrado como profissional autônomo. Assim continuo a pagar meus impostos normalmente.

Fiz o registro pelo site do Her Majesty Revenue & Customs (equivalente ao Ministério da Fazenda) e… Deu. Era isso. Me mandaram uma carta em casa confirmando meu registro, alguns dias depois recebi meu primeiro imposto pra pagar (o que fiz online também) e agora só em abril pra pagar de novo.
Os novos negócios também são impulsionados aqui e o Governo faz questão de ajudar novos empresários. Por isso a desburocratização, inclusive.
PRODUTO NÃO ENTREGUE – AMAZON
Havia comprado um cabo que conecta o computador à televisão e quando precisei do tal cabo é que me dei conta que ele não tinha chegado. Como comprei ele pelo site da Amazon entrei lá e entrei em contato com a loja sobre o produto. Eles pediram pra que eu conferisse com o Post Office se não estava com eles por algum motivo. Conferi e não estava.
Avisei eles e pediram milhões de desculpas (tá, duas vezes só) e disseram que o produto deve ter se perdido. Eles iriam então enviar um novo cabo, desta vez com entrega “registrada”, sem nenhum custo adicional (me disponibilizei a pagar a entrega). E pediram desculpas de novo.
ENTREGA PELO ROYAL MAIL
O Royal Mail (equivalente aos Correios) tentou me entregar o tal do cabo que havia comprado online, no entanto não havia ninguém em casa e eles deixaram aquele famoso “bilhetinho” informando a tentativa de entrega e tudo mais. Até aí tudo bem até porque no Brasil também é assim.

Minha surpresa foi que ao ler o tal bilhete que eles deixam eu tinha duas opções: uma delas era ir buscar no Post Office, ou então entrar no site deles e reagendar a entrega da minha encomenda. Fiz isso. Informei no site a data da tentativa, o tipo da entrega, o código do produto e escolhi o dia que gostaria que fosse entregue (que no caso eu estaria o dia todo em casa). E isso tudo o quê? De graça, isso aí.
PRODUTO NÃO ENTREGUE – ASDA
A gente faz compras de supermercado online também. O ASDA é um dos mercados que oferecem essa comodidade de fazer o pedido online, escolher a data e uma faixa de horários pra entrega por £ 1 extra na maioria das vezes.
Geralmente isso acontece, mas vou relatar a última compra: compramos uvas e elas não foram entregues. Liguei pro atendimento dele e a primeira coisa que a atendente fez foi se desculpar. Me transferiu a ligação pra um colega dela que me atendeu na hora (sem essa coisa de espera nem nada) e ele perguntou o número do pedido e qual item estava faltando. Informei pra ele e pronto: o reembolso de £ 1.50 vai ser feito. E foi, tá lá na minha conta já. Sem precisar mandar nada pra eles, esperar dias, tirar foto, fazer simpatia. Nada.
***
Enfim, acredito que essa desburocratização também tenha bastante a ver com a cultura e educação da população. Ligar pro supermercado e dizer que não recebeu um produto e eles acreditarem sem precisar de nenhum tipo de prova, por exemplo. Muita gente (não falo só de Brasil) ligaria simplesmente pra ter dinheiro de volta por essa facilidade, mesmo que tenha recebido o tal produto.
Mas o que anima de morar num país como o Reino Unido, em especial pra um brasileiro como eu, é ver as coisas funcionando. Se o painel está lá pra mostrar quanto tempo falta pro ônibus ou pro trem, ele vai mostrar quanto tempo falta pro ônibus ou pro trem. Se a função do Royal Mail é te entregar uma encomenda, eles vão fazer o que precisar e do jeito mais fácil pra que tu receba esta encomenda. Todo mundo cumpre seu trabalho com vontade e orgulho, e isso faz o país seguir funcionando.
Não que não tenha problemas, é claro, mas em sua maioria tudo acontece como deveria. Tudo é fácil como deveria. Essa facilidade de fazer tudo que rendeu este post não deveria ser surpresa, pois afinal assim que tem que ser. Mas infelizmente pra gente que vem de um país onde tudo é difícil, ou demorado, ou caro, a surpresa é grande e inevitável.

Tu já teve algum caso que te deixou P da vida com a burocracia do Brasil? Diz ali nos comentários. 🙂

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