GURI IN LONDON

Guri em York

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Se o melhor fica pro final, então chegamos em York. E uma hora depois chegamos no bed & breakfast (como se fosse um hostel, no entanto com quartos privativos, e geralmente numa casa adaptada pra receber os hóspedes). A cidade é cheia dos B&B, o que permite a preservação da arquitetura e dos prédios baixos. Deu pra percebermos isso ao nos perdemos no caminho até o B&B, por isso demoramos tanto pra chegar, inclusive.

Como no Google Maps calculamos todas as distâncias no modo “a pé”, nos obrigamos a dar uma boa rodada, o que nos permitiu conhecer mais, em especial a outra parte. Como comentei em algum outro texto por aí, às vezes o melhor que temos a fazer ao visitar uma cidade é se perder por ruelas estreitas e becos. E no caso de York, nos perdemos por ruas largas, cruzamos rios, parques e por fim conseguimos chegar no B&B.

Bah, que susto: tudo fechado. Chegamos na porta do B&B, e um detalhe na maçaneta da porta nos chamou a atenção: ao desdobrarmos o pedaço de papel com nosso nome escrito a mão começamos a ler um recado também escrito à mão informando o número do nosso quarto, onde estava a chave, e qual a senha (isso aí, tudo!) pra entrarmos na porta da rua. Digitamos a senha e uma vez dentro do B&B já notamos a chave na porta do nosso quarto. Chegamos, agora de verdade.

O nosso tradicional quarto inglês do era agradável e confortável, mesmo com o barulho da movimentada rua em frente. Cerca de 10 minutos a pé e estávamos no charmoso centrinho. Centrinho este que resume a área que mais interessa da cidade e fica, basicamente, dentro da muralha de York. Restaurantes, pubs, lojas, pontos turísticos e a famosa, imponente e bonitona da York Minster.

A Minster é como se fosse uma Catedral no nosso português. Mas não é bem isso porque também existe a palavra “Cathedral”. Bom, mas como não tô aqui pra discutir o idioma, seguimos com a Catedral: ela foi constuída pela primeira vez em 637. É isso aí mesmo. Nessa época deveriam existir uns 40 ou 50 índios no Brasil e por aqui essa beleza toda já tava de pé. Aqui que é a sede do Arcebispo de York, que é o vice-chefe da Igreja Anglicana. Dá pra chamar de “vice-papa” deles?

Vale a pena sentar no gramadinho que tem do lado dela e ficar apreciando a vista. Não sei se vale a pena, no entanto, pagar £ 15 pra entrar nela e na torre porque achamos muita grana (julguem-me). Ou quem já foi pode escrever nos comentários se vale ou não a pena. 🙂

Ainda na parte de história, o York Castle Museum tem bastante coisa interessante sobre a história da cidade e da região, inclusive sobre fazendas e vida rural. Isso porque a região toda (15500 m² – o maior condado da Inglaterra) tem apenas 5 milhões de habitantes. Esses moradores estão bem espalhados pelo interior da região. Leeds e Sheffield também são parte desta região. Pra comparação, a CIDADE DE MANAUS tem 11000 m². Ou seja, um pouco menor que TODA Yorkshire.

Lá dentro dá pra se ter noção de como era a vida nos tempos passados e tenho que falar isso: lembrou bastante meu Lajeado Grande há 10 anos atrás.

Ali do ladinho do museu, em cima de um morrinho, tem a Clifford’s Tower. Preservada pelo English Heritage, tu podes subir nessa torre que foi construída em 1275.

Vista da York Minster da Clifford’s Tower.

Eu nunca na minha vida havia pensado em entrar num restaurante polonês. E eu também nunca na minha vida havia pensado em entrar num restaurante polonês EM YORK! Pois foi que, caminhando de um lado pro outro com a barriga roncando, passamos pelo Barbakan. Entrar ou não? A mais deliciosa decisão da viagem: sim.

O ambiente é pequeno, acho que caberiam todos os meus primos e deu (entenda-se mais de 10). Já na chegada deu pra perceber que os donos trabalham lá e muito provavelmente são da mesma família. Fizeram questão de nos tratar da melhor forma possível. E quando digo isso, quero dizer da melhor forma possível!!!

Minha escolha foi o tradicional bigos, servido com pão e batata. Dentro do pão tem um mix de várias carnes, salsichas tomate e cogumelos. Deu fome né? Pausa pra pegar alguma coisa pra comer.

Vai pra York no verão? Vou te dar uma ideia pra voltar de lá bronzeado: fazer um passeio de barco. É muito bonito, o rio é lindo, as margens são demais e bastante convidativas pra dar uma volta de bicicleta e tudo mais. Mas o sol putaqueopariu! O sono bateu devido ao balanço do barco e o bronze foi grande. Nem quando fui pra Brighton (o post virá ainda!) não me bronzeei assim. Mas é bacana!

Quase deixamos passar no fim da viagem entramos no Museum Gardens e ali avistamos a St. Mary’s Abbey. Na verdade o que sobrou dela. Esta abadia foi construída em 1055, o que se minha matemática ainda está boa, me faz entender que aquela parte está de pé há 959 anos. Ela foi destruída durante a dissolução dos monastérios no reinado de Henry III, quando ele resolveu romper com a Igreja Católica e criar a Anglicana.

Uma palavra pra York? História. Deixa eu usar duas? História e natureza. Os arredores da cidade me fizeram lembrar do meu Rio Grande e me apaixonar pela cidade. A muralha que existe ao redor da cidade também dá um ar mais histórico e imponente, nos instigando a imaginar como era a vida por aqui ainda no período medieval.

Ao nos perdermos (o que gosto de fazer ou faço mesmo que sem ter opção de vez em quando), pudemos perceber o charme único da cidade de York. O choque inicial com o hotel nos mostrou o quão diferente é a cultura da região em comparação com a própria capital do país. Apesar de ser a menor das cidades que visitamos, foi a que mais deu vontade de voltar. Foi a que mais deu vontade de morar.

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